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Capital catarinense da batata-salsa, Angelina produz mais de 8 toneladas da hortaliça por ano

Município enfrenta queda na produção e no mercado e agricultor precisa de resiliência.

Capital catarinense da batata-salsa, Angelina produz mais de 8 toneladas da hortaliça por ano Cerca de 300 ha de batata-salsa são cultivados em Angelina. Foto: Notícias Agrícolas

Conhecida como a Capital Catarinense da Batata-Salsa, Angelina mantém cerca de 200 famílias envolvidas com o cultivo. Porém, mudanças no mercado, condições climáticas e aumento dos custos têm reduzido a atividade nos últimos anos. O município possui aproximadamente 300 hectares cultivados, com produção estimada em 8,4 mil toneladas por ano. A comunidade de Rio Fortuna concentra a maior parte das lavouras.

Segundo o representante da Epagri de Angelina, Gilsonei Duarte, a produção ganhou espaço no município a partir de pesquisas realizadas pela Embrapa e Epagri em 1998. “Vieram as primeiras mudas e essas mudas foram plantadas em algumas comunidades aqui do município, principalmente na comunidade do Rio Fortuna, onde se adaptou muito bem”, explica.

Batata-salsa começou a ganhar espaço em Angelina em 1998

As condições de solo e clima favoreceram a adaptação da cultura em Rio Fortuna. A região possui solo argiloso e áreas localizadas acima de 500 metros de altitude.

Além disso, agricultores passaram a alternar a batata-salsa, também conhecida como mandioquinha-salsa, com outras culturas. “Houve uma complementação de renda. Isso ajudou bastante os agricultores”, afirma Gilsonei.

Atualmente, cerca de 200 famílias trabalham com o cultivo no município. Entretanto, o número de produtores varia conforme as condições de mercado e o desempenho de cada safra.

Produção de Angelina abastece principalmente o Sudeste

Grande parte da batata-salsa produzida em Angelina segue para o Sudeste do país. Segundo Gilsonei, o consumo na Região Sul ainda é menor.

Essa característica faz com que os preços recebidos pelos agricultores catarinenses dependam também da produção registrada em outros estados. “Quando tem pouca produção lá, eles vêm e pegam daqui, e isso faz com que o preço seja maior para nós. Quando produz bem no Sudeste, aqui vai ficando devido à distância e baixa do preço”, explica.

Na safra atual, segundo o representante da Epagri, produtores relatam dificuldades para comercializar a produção. “O valor recebido hoje é ruim. Muitas vezes, os agricultores relatam que os compradores nem querem pegar. O produto está lá para colher, tem valor baixo, mas não tem comprador que leve”, afirma.

Clima e mão de obra dificultam cultivo da batata-salsa

As condições climáticas também afetam as lavouras. O excesso de chuva está entre os fatores que prejudicam o desenvolvimento da atividade.

Além disso, parte das propriedades possui terrenos com declividade, o que dificulta a mecanização. Dessa forma, várias etapas ainda dependem diretamente de mão de obra. “Todo o processo é mão de obra. Está difícil contratar e a mão de obra está cada vez mais cara. Os insumos e o tratamento fitossanitário também ficam caros”, relata Gilsonei.

Segundo ele, esse conjunto de fatores limita a abertura de novas áreas e contribui para a redução do cultivo.

Movimentação econômica caiu nos últimos dois anos

Dados apresentados pela Epagri mostram uma redução na movimentação econômica da cultura em Santa Catarina. Em 2023, a batata-salsa movimentou aproximadamente R$ 30 milhões no estado. No ano seguinte, o valor chegou a R$ 36 milhões. Já em 2025, caiu para cerca de R$ 11 milhões. Assim, a movimentação registrada em 2025 representou aproximadamente um terço do resultado alcançado no ano anterior.

Diante desse cenário, produtores têm reduzido áreas ou alternado a batata-salsa com outras culturas enquanto aguardam mudanças no mercado. “Nós sabemos que o nosso agricultor é resiliente. Ele sabe disso, vem diminuindo e alternando também com outros cultivos para esperar uma melhora no futuro”, conclui Gilsonei Duarte.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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