O Ministério Público de Santa Catarina, por meio da 3º Promotoria de Justiça de Ituporanga, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate à Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou a Operação Repasse, que investigava fraude na venda de veículos em várias cidades de Santa Catarina.
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O grupo criminoso, composto por 46 pessoas, foi condenado por organização criminosa, estelionato mediante fraude eletrônica e falsidade ideológica.
Penas somadas chegam a mais de 2 mil anos
A pena somada dos 46 investigados na Operação Repasse chega a 2077 anos, um mês de 26 dias. Individualmente, cada um deles pegou de três a 313 anos de reclusão, além das indenizações, que variam de R$7 mil até R$221.490.
Treze condenados já estão presos preventivamente. Um dos chefes do grupo foi condenado a 313 anos.
Como os crimes eram aplicados
A organização criminosa publicava anúncios falsos vendendo carros na internet e criavam perfis de empresas inexistentes para captar clientes. Estes anúncios eram replicados em grupos.
As vítimas eram induzidas a fazer o pagamento da entrada e, após isso, um falso documento era remetido ao comprador lesado. Das vítimas, também era cobrada uma taxa de transporte do veículo até o endereço de entrega.
Os valores recebidos eram transferidos para outra conta bancária e sacados para serem repartidos entre o grupo de criminosos. Eles também utilizavam um sistema bancário por meio de “laranjas” para dissimular a origem do dinheiro.
Em 45 dias, os criminosos chegaram a movimentar cerca de R$6 milhões.
Investigação iniciou a partir de Ituporanga
As investigações da Operação Repasse começaram em maio de 2023 por meio de um procedimento instaurado pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ituporanga. O GAECO foi acionado para identificação dos envolvidos.
Vítimas da organização criminosa fizeram denúncias ao Ministério Público da cidade e Medidas cautelares judiciais foram deferidas pelo Poder Judiciário.
O último desdobramento da operação ocorreu entre agosto de 2023 e janeiro de 2025. Entre os métodos utilizados para desvendar o crime, estão: interceptação telefônica, quebra de sigilo dos dados telefônicos, quebra de sigilo bancário e, finalmente, o cumprimento dos mandados de buscas e apreensões.
A organização existia desde 2022, com pessoas que criavam conteúdo digital para expor os veículos supostamente à venda, pessoas que simulavam as negociações por aplicativos de conversa, havia ainda outros criminosos que faziam os saques e a contabilidade para posteriormente entregar o dinheiro aos chefes do grupo criminoso.
O Promotor de Justiça, Thiago Madoenho Bernardes da Silva, que deu início às investigações em 2023, por meio da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ituporanga, relata: "Foi identificado que os agentes ostentavam uma vida de luxo com festas e detinham um grande patrimônio oriundo desta atividade criminosa, que consistia em veículos de luxo, motocicletas, barcos e motos aquáticas. O grupo ostentava muito e tinha certeza da impunidade, mas o Ministério Público de Santa Catarina está comprometido em combater a impunidade, promovendo a justiça e protegendo a sociedade catarinense, por meio de investigações rigorosas e ações eficazes contra os crimes".
Quase R$17 mihões foram movimentados no pix em 2023
De acordo com o Promotor de Justiça da 3ª PJ de Ituporanga, Juliano Antonio Vieira: "Os golpes aplicados na modalidade virtual, ultrapassaram fronteiras de Municípios e até mesmo do Estado de Santa Catarina. Somente no ano de 2023 (entre janeiro e novembro), a organização criminosa realizou mais de dois mil saques, com valor aproximado a R$ 3.741.384,12, movimentou mais de R$ 16.900.000,00 apenas com transferências modalidade PIX; obteve, de maneira ilícita, pela prática de estelionato virtual, somente contra as vítimas que foram ouvidas na Promotoria de Justiça de Ituporanga, o valor aproximado de R$ 1.653.000,00; e lesou, no mínimo, 61 pessoas, em diversos estados do Brasil".