Saúde

Hospital Regional de Rio do Sul investigou 273 suspeitas de AVC em 2026

No Dia Mundial do AVC, médico explica os sinais da doença, os fatores de risco e a importância do atendimento rápido para evitar sequelas.

Hospital Regional de Rio do Sul investigou 273 suspeitas de AVC em 2026 Dia Mundial do AVC. Foto: Reprodução / Site Santa Marcelina

O Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, registrou 273 atendimentos com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2026, até o mês de outubro. Em 2025, a instituição abriu 341 investigações. Os números incluem pacientes que apresentaram sintomas da doença, mas nem todos tiveram o diagnóstico confirmado.

Os dados foram apresentados pelo médico emergencista do Hospital Regional, Will de Freitas, em entrevista à Rádio Sintonia. A conversa marca o Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira, 29 de outubro, e chama a atenção para os cuidados com a saúde e a identificação dos sintomas.

O AVC acontece quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro sofre uma interrupção ou quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo. A doença pode atingir pessoas de diferentes idades e provocar sequelas permanentes.

Segundo o médico, o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do atendimento influencia diretamente as possibilidades de tratamento.

AVC também pode atingir crianças e jovens

Embora seja mais frequente entre adultos e idosos, o acidente vascular cerebral não ocorre exclusivamente nessas faixas etárias.

De acordo com Will de Freitas, crianças e jovens também podem apresentar a doença, principalmente quando possuem condições de saúde que aumentam o risco. “O AVC, o acidente vascular cerebral encefálico, ele acomete todas as faixas etárias. Existem crianças também que, em alguns casos, adquirem algumas doenças já que podem ser decorrentes do próprio nascimento, e elas aumentam a chance de ter AVC”, explicou.

Entretanto, a ocorrência da doença aumenta com o avanço da idade, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco cardiovasculares.

Quais são as causas e os tipos de AVC?

O AVC possui diferentes causas. Entre elas estão a formação de coágulos sanguíneos, alterações nas artérias e doenças cardíacas. Segundo o médico, uma das principais causas está relacionada à aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias.

Essas placas podem favorecer a formação de coágulos que interrompem a circulação sanguínea. “A maioria das causas, por nós médicos, é conhecida como a causa aterotrombótica. O que que é isso? Em forma simples, seria bem parecido com o que é a causa do infarto”, explicou Will de Freitas.

Além disso, determinadas arritmias cardíacas podem provocar a formação de coágulos no coração. Quando chegam ao cérebro pela circulação sanguínea, esses coágulos podem causar um AVC.

A doença apresenta dois tipos principais: isquêmico e hemorrágico.

O AVC isquêmico acontece quando um vaso sanguíneo sofre uma obstrução e impede a chegada de sangue a determinada região cerebral.

Já o AVC hemorrágico ocorre quando um vaso se rompe e provoca sangramento no cérebro. “Estatisticamente falando, 80% dos AVCs são de origem isquêmica. O vaso ali do pescoço ou da cabeça, ele entope, impedindo a irrigação para o cérebro”, afirmou.

Como prevenir um acidente vascular cerebral?

A prevenção do AVC envolve o controle de doenças e a adoção de hábitos que contribuem para a saúde cardiovascular. Entre os principais cuidados estão o acompanhamento da pressão arterial, o controle do colesterol e dos triglicerídeos e a realização de consultas médicas periódicas. Além disso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o tabagismo ajuda a reduzir os riscos.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também está associado ao aumento do risco de AVC. “Uma dieta equilibrada, exercício físico, você fazer um acompanhamento médico regular, tá acompanhando o colesterol, triglicerídeos, enfim, ter uma vida, como que a gente preconiza, uma vida mais saudável”, orientou o médico.

Apesar das medidas preventivas, nem todos os casos podem ser evitados. Por isso, reconhecer os sintomas continua sendo fundamental.

Quais são os sintomas e as possíveis sequelas do AVC?

Os sintomas de um AVC costumam surgir de maneira repentina e variam conforme a região do cérebro atingida. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo e alteração nos movimentos do rosto.

A pessoa também pode apresentar dificuldades para caminhar, perda de equilíbrio e alterações na visão. Em alguns casos, os sintomas desaparecem após poucos minutos. Mesmo assim, a situação exige avaliação médica imediata.

As sequelas também dependem da área cerebral afetada e da extensão da lesão. “Essas sequelas estão relacionadas aos próprios sinais e sintomas de um AVC, que é perda de fala, perda de capacidade de andar, paralisia de um lado do corpo ou apenas de um braço ou de uma perna”, explicou Will de Freitas.

Alguns pacientes recuperam as funções comprometidas. Outros precisam de acompanhamento e reabilitação por períodos prolongados.

Como identificar um AVC? Médico explica a estratégia SAMU

Uma das orientações apresentadas pelo médico é a utilização da palavra SAMU para ajudar a identificar sinais de um possível AVC. A estratégia reúne quatro ações que podem auxiliar familiares e pessoas próximas a reconhecer uma emergência.

S de Sorriso: pedir para a pessoa sorrir e observar se um dos lados do rosto apresenta desvio. A de Abraço: solicitar que levante os dois braços e verificar se existe perda de força ou dificuldade para movimentar um deles.

M de Mensagem: pedir para repetir uma frase e observar se a fala está alterada.

U de Urgência: acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, pelo telefone 192.

“Se você tiver em casa com o teu familiar e você suspeitar que ele tá tendo um AVC, tu pode usar essa estratégia, que é o SAMU”, orientou o emergencista. O médico explica que a população não deve esperar pela melhora dos sintomas antes de procurar ajuda.

Atendimento rápido pode reduzir as sequelas do AVC

O tempo é um dos fatores que influenciam o tratamento do acidente vascular cerebral. No caso do AVC isquêmico, determinados pacientes podem receber medicamentos para dissolver o coágulo nas primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas, conforme avaliação médica. Entretanto, existem outras possibilidades de tratamento para situações específicas, inclusive após esse período.

Will de Freitas explicou que pacientes que necessitam de procedimentos de maior complexidade podem precisar de transferência para serviços de referência, como os disponíveis em Blumenau. “O AVC isquêmico, que nós estávamos comentando, existe uma janela de tempo de até 4 horas e meia para a gente poder fazer o tratamento”, afirmou.

Por isso, a orientação é acionar o SAMU pelo telefone 192, em vez de transportar o paciente por conta própria. O serviço possui uma equipe de regulação médica que avalia a situação e define o encaminhamento adequado.

Hospital Regional de Rio do Sul possui protocolo para suspeitas de AVC

Como referência para municípios do Alto Vale do Itajaí, o Hospital Regional recebe pacientes com sintomas que podem indicar um acidente vascular cerebral. A instituição possui um protocolo para identificar essas situações e iniciar a investigação médica.

Segundo Will de Freitas, os profissionais classificam os pacientes com suspeita de AVC como casos de emergência. “Aqui nós temos atendimentos diários, como uma instituição de referência. Nós temos um protocolo estabelecido em relação a isso”, explicou.

Em 2025, o hospital registrou 341 investigações de possíveis casos da doença. Já em 2026, até outubro, foram 273 registros. O médico esclareceu que esses números representam investigações iniciadas, e não necessariamente diagnósticos confirmados. “Não necessariamente todos se confirmaram, mas a ideia é investigar, como a gente falou, a urgência do tempo”, afirmou.

Neste Dia Mundial do AVC, a orientação é manter os cuidados preventivos e procurar atendimento imediato diante de qualquer sinal da doença. Em caso de suspeita de AVC, ligue para o SAMU pelo número 192. O atendimento rápido pode reduzir o risco de morte e de sequelas.

Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller: 

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