A Sintonia FM completa 45 anos nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, com uma trajetória ligada à informação, ao serviço e à rotina da comunidade regional. A emissora iniciou as atividades como Rádio Jornal A Região, na frequência 1590 AM, em uma sala no Edifício Ernestina Rosalina Maciel, na Rua Emiliano Sá, em Ituporanga.
Ao longo das décadas, a rádio mudou de nome, passou a se chamar Rádio Ituporanga e, depois, Rádio Sintonia. A frequência também acompanhou a evolução do setor. Primeiro, a emissora passou para 1310 AM. Posteriormente, chegou ao FM, onde opera na 94,7.
Rádio Sintonia começou no AM em Ituporanga
A diretora-geral Ana Christina Maciel lembra da inauguração da emissora ainda na infância. Naquele período, a rádio fazia parte da rotina da família e do ambiente de trabalho da mãe. “Eu tenho uma lembrança vaga do segundo andar do Edifício Ernestina Rosalina Maciel. Tinha várias pessoas arrumadas, engravatadas, e as salas estavam cheias”, contou.
Segundo Ana, a rádio sempre esteve presente na vida familiar. Por isso, o contato com a emissora ocorreu antes mesmo da atuação profissional. “A rádio era uma continuidade da nossa casa. A mãe trabalhava ali, então a gente cresceu no meio das pessoas do rádio”, afirmou.
A primeira experiência de Ana na emissora ocorreu aos 13 anos, quando começou a trabalhar como recepcionista na sede da Rua João Steffens. Na época, os ouvintes enviavam pedidos musicais por cartas. “A gente abria as cartinhas e selecionava as músicas que estavam sendo pedidas. Também fazia serviço de banco”, relatou.
Além disso, Ana atuou na sonoplastia do programa Encontro Sertanejo. Depois, estudou em Florianópolis, retornou à rádio em 2002 e reassumiu funções na gestão. Em 2018, passou a ocupar a direção executiva da emissora.
Tecnologia mudou a rotina do rádio
A evolução tecnológica transformou a forma de produzir conteúdo e operar a programação. Algumas funções que existiam nos primeiros anos deixaram de fazer parte da rotina das emissoras.
O comunicador Erlon Carlos Thiesen iniciou a trajetória na Sintonia em uma dessas funções. Ele atuava como rádio escuta, trabalho que consistia em acompanhar emissoras de fora, gravar conteúdos e transcrever informações. “Eu fui contratado para ouvir rádios de fora com gravador. Gravava em fita cassete e retirava as informações dessas gravações”, explicou.
Na época, os textos eram preparados em máquina de escrever. Para produzir cópias, a equipe usava papel carbono. “A gente transcrevia em uma lauda, duas laudas, três laudas. Às vezes, uma ia para o operador e outra para cada apresentador”, lembrou Erlon.
Com o tempo, surgiram novas oportunidades dentro da programação. Segundo ele, o começo exigia cuidado, principalmente nas primeiras experiências ao microfone. “Quando fui para o horário da noite, eu escrevia tudo para ter uma ideia e não errar”, contou.
Transmissões externas exigiam estrutura manual
A cobertura externa também passou por mudanças. Hoje, a internet e os equipamentos móveis permitem conexões rápidas com o estúdio. No entanto, as transmissões de anos anteriores dependiam de estrutura física e deslocamento de cabos.
O gerente comercial Luiz Carlos Broering acompanhou esse período como assistente de externa. A função dava suporte aos locutores e jornalistas durante eventos e coberturas fora da sede. “Eu fazia a ligação do local com a Rádio Sintonia. Na época, era fio de telefone, cabo enrolado no ombro e 200 metros de fio”, relatou.
Segundo ele, o trabalho exigia levar a conexão até o ponto da transmissão, mesmo em locais de difícil acesso. “Subia morro, passava por meio de mata e atravessava riachinho para ligar um ponto ao outro”, afirmou. Essas mudanças mostram parte da adaptação da rádio às novas tecnologias. Apesar disso, a proposta de estar próxima do ouvinte permaneceu como uma marca da emissora.
Coberturas marcaram a relação com a comunidade
A Sintonia FM acompanhou eventos que mobilizaram Ituporanga e os municípios da região ao longo dos 45 anos. Entre eles, estão eleições, enchentes, situações de emergência e a pandemia de covid-19.
Para a diretora-geral Ana Christina Maciel, essas coberturas mostram a responsabilidade da emissora com a população. “As eleições, antigamente, eram um evento. A gente tinha os dados aqui, e as pessoas ficavam em casa esperando”, relembrou.
Além das grandes coberturas, situações do cotidiano também mostram a relação da comunidade com a rádio. Ana citou o caso de um pai que ligou para a emissora para confirmar se haveria aula no dia seguinte. “Ele poderia ter ligado para o colégio ou para a Secretaria da Educação, mas ligou para nós. Nesse dia, isso reafirmou a nossa responsabilidade com o nosso povo”, contou.
Segundo a diretora, a emissora assumiu, ao longo dos anos, uma função que ultrapassa a atividade privada. “A Sintonia é uma empresa privada, mas o que a gente sente é como se ela não fosse mais nossa, e sim da sociedade”, afirmou.
Legado de Gervásio Maciel orienta a emissora
A história da Rádio Sintonia também está ligada ao fundador Gervásio José Maciel. Para Ana Christina Maciel, a visão dele ajudou a formar o compromisso da emissora com a região.
Ela lembra uma mensagem deixada pelo fundador durante um encontro da rádio. “Ele falou que uma vida dedicada só para si não tem validade. A vida que se dedica a melhorar o ambiente e as pessoas que vivem com a gente é uma vida que vale a pena”, relatou.
Conforme Ana, essa ideia permanece presente na atuação da emissora. A rádio consolidou uma linguagem próxima do ouvinte, com foco na prestação de serviço e na informação local. “A Rádio Sintonia reflete isso. Tem o seu DNA nessa premissa”, disse.
Sintonia FM projeta continuidade após 45 anos
A chegada aos 45 anos representa um marco para a emissora e para a equipe que participa da construção diária da programação. Parte dos colaboradores soma mais de 30 anos de atuação na empresa. Ao mesmo tempo, a rádio também formou profissionais, abriu espaço para novos talentos e acompanhou diferentes fases da comunicação regional.
Para Ana Christina Maciel, a data reúne reconhecimento e responsabilidade. O momento atual traz mudanças no consumo de informação, na tecnologia e no relacionamento com o público. “Chegar a esses 45 anos é uma felicidade e um privilégio. Também é um marco de uma responsabilidade que cresce”, afirmou.
A diretora-geral avalia que a emissora seguirá com o compromisso de servir à comunidade e manter o legado construído ao longo das décadas. “A Sintonia conquistou um espaço de prestadora de serviço, com característica de serviço público e social. Que ela seja repassada de geração em geração”, concluiu.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Estúdio Jornalista Gervásio José Maciel, da Sintonia FM. Foto: Arquivo / Sintonia FM