A colheita da cebola começa a ganhar ritmo em Ituporanga e nos municípios do Alto Vale do Itajaí. Apesar das dificuldades climáticas enfrentadas pelos agricultores, a expectativa é de preços favoráveis para a safra 2026/2027. A avaliação é do pesquisador da Epagri, Daniel Schmidt, que conversou com a Rádio Sintonia sobre as condições das lavouras e o mercado nacional.
Segundo ele, a redução da área plantada no Sul do Brasil poderá diminuir a oferta de cebola nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a demanda pelo produto deve contribuir para a valorização dos preços. "A safra está bem encaminhada, apesar de todos os percalços que os produtores enfrentaram até agora, especialmente com relação ao clima. Eu diria que está satisfatória", avaliou.
Redução de 3.500 hectares no Sul pode influenciar preço da cebola
De acordo com o pesquisador da Epagri, a área cultivada com cebola diminuiu aproximadamente 3.500 hectares nos estados do Sul do Brasil. Desse total, Santa Catarina responde por uma redução de cerca de 2.900 hectares. Além da diminuição da área plantada, Schmidt acredita que a produtividade não deverá alcançar os resultados registrados na safra anterior.
Com isso, a oferta nacional poderá ficar abaixo da demanda, criando condições para preços mais elevados aos produtores. "Nós vamos ter um período relativamente longo em que o mercado vai trabalhar desabastecido, em função da redução, especialmente aqui do Sul do Brasil", explicou.
O pesquisador também mencionou movimentos de importação de cebola, que indicariam uma preocupação do mercado com a disponibilidade do produto. "Se estão buscando cebola, é porque sabem que vai ter falta no mercado brasileiro. Sabem que o que tem na terra, o que tem para colher, não atende essa demanda", afirmou.
Apesar da perspectiva favorável, os preços poderão apresentar oscilações conforme o volume de cebola disponível em cada período.
Clima preocupa agricultores durante desenvolvimento da cebola no Alto Vale
Embora a safra apresente condições consideradas satisfatórias, a sequência de dias úmidos e com pouca incidência de sol preocupa os agricultores. Segundo Schmidt, a redução da luminosidade interfere na fotossíntese das plantas e pode comprometer parte da produtividade.
Entretanto, o pesquisador explica que o período até 15 de novembro será determinante para o desenvolvimento das lavouras. Nessa fase, ocorre a formação dos bulbos das principais variedades cultivadas na região, incluindo a Valesul. "É uma fase importante. Se nós tivermos uma condição climática mais favorável nesse período e uma condição para retirada rápida das cebolas do campo, com certeza vamos obter um produto de boa qualidade", afirmou.
A expectativa é que a melhora das condições climáticas favoreça o desenvolvimento das plantas e permita a colheita no momento adequado.
Armazenamento da cebola será importante para aproveitar os preços
Outro fator apontado pelo pesquisador é a capacidade de conservação da cebola após a colheita. Schmidt orienta os agricultores a prepararem os galpões para o processo de cura, etapa que contribui para reduzir a umidade e conservar os bulbos.
Entre as medidas estão a utilização de ventiladores e a organização dos espaços de armazenamento. Segundo ele, os produtores que conseguirem manter a qualidade da cebola por mais tempo poderão aproveitar diferentes momentos de comercialização. "Se nós tivermos uma safra com um produto que possa ser armazenado por um período satisfatório, acho que todos os produtores vão conseguir um preço médio muito bom este ano", avaliou.
Além disso, as condições de retirada da cebola do campo poderão influenciar a oferta e os preços. Em períodos chuvosos, a dificuldade de colheita pode reduzir temporariamente a disponibilidade do produto.
Santa Catarina poderá ganhar espaço no mercado após colheita do Paraná
O calendário de produção de outras regiões brasileiras também deverá influenciar a comercialização da cebola catarinense. Segundo o pesquisador, o Paraná concentra parte da colheita em novembro, principalmente de variedades híbridas destinadas à venda logo após a retirada do campo.
A expectativa é que aproximadamente 70% da produção paranaense seja de cebolas precoces, comercializadas até o Natal. Além disso, há previsão de colheita na região de Irecê, na Bahia, durante o mesmo período.
Após essa etapa, Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderão ocupar uma parcela maior do mercado nacional. "Eu acredito que dali em diante nós vamos ter o mercado praticamente livre para cebola de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul", afirmou Schmidt.
Ouça a reportagem de Berta Thiesen:
Cebola armazenada. Foto: Berta Thiesen / Sintonia FM