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Gean Carlos: O vício invisível que cabe na palma da mão

Confira a coluna do especialista em marketing, Gean Carlos Antunes.

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Gean Carlos: O vício invisível que cabe na palma da mão Preço das Redes Sociais - Imagem Ilustrativa. Foto: Geração de IA

A Meta, dona do Facebook e do Instagram, aceitou pagar uma indenização bilionária nos Estados Unidos após ser acusada de criar redes sociais capazes de viciar crianças e adolescentes.

O acordo prevê mudanças importantes: limite de tempo para adolescentes, bloqueio durante a madrugada e menos notificações em horário escolar. A empresa nega irregularidades, mas o tamanho da indenização mostra que o debate deixou de ser exagero de pais preocupados e virou assunto de saúde pública, justiça e comportamento.

Por muito tempo, tratamos redes sociais como diversão. Um vídeo rápido, uma olhada no feed, uma curtida aqui, uma notificação ali. O problema é que essas plataformas foram ficando cada vez melhores em prender nossa atenção.

E isso atinge crianças e adolescentes com mais força. Nessa fase, o cérebro ainda está desenvolvendo autocontrole, enquanto busca aceitação, recompensa e pertencimento. Likes, comentários, mensagens e vídeos infinitos viram pequenos estímulos repetidos, como migalhas digitais que fazem a pessoa voltar sempre para buscar mais. Mas seria confortável demais fingir que esse problema é só dos jovens.

Adultos também estão presos. A diferença é que chamamos de trabalho, informação, descanso ou “só mais cinco minutos”. Abrimos o celular sem perceber. Entramos para responder uma mensagem e saímos vinte minutos depois de um vídeo que nem queríamos ver. O tempo parece passar mais rápido porque a rede não entrega começo, meio e fim. Ela entrega fluxo.

O cérebro gosta de novidade. E as redes oferecem novidades sem pausa. Um vídeo, outro vídeo, outra notícia, outra polêmica, outra chance de recompensa. Isso pode afetar atenção, sono, humor e até nossa capacidade de ficar em silêncio sem buscar uma tela.

A discussão, portanto, não é apenas se a Meta errou. É sobre o modelo inteiro. Se uma plataforma ganha dinheiro quanto mais tempo ficamos nela, o produto real não é o aplicativo. É a nossa atenção.

Talvez o maior vício moderno não tenha cheiro, garrafa ou embalagem. Ele vibra no bolso. E a pergunta que fica é simples, estamos usando as redes sociais ou estamos sendo usados por elas?

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