Muito antes da formação de Taió, a região onde hoje está o município passou por transformações que deixaram registros preservados nas rochas. Fósseis com idade estimada entre 290 e 300 milhões de anos estão entre as peças mais antigas do Museu Paleontológico, Arqueológico e Histórico da cidade.
O acervo também reúne pontas de flecha, documentos, móveis, mapas e objetos utilizados por moradores ao longo das décadas. Dessa forma, o espaço permite conhecer diferentes períodos da história regional, desde o passado geológico até a formação do município.
Segundo o museólogo João Pedro Rodrigues da Conselheiro, a coleção paleontológica está entre os principais conjuntos preservados no local. “As peças mais antigas que nós temos, tanto Mesossauros quanto Hetero Pécten e alguns fósseis daqui, têm entre 290 e 300 milhões de anos. São fósseis que foram achados aqui na região”, explica.
Fósseis encontrados em Taió ajudam pesquisas científicas
Parte do material encontrado em Taió também contribui para estudos sobre as transformações geológicas ocorridas ao longo de milhões de anos.
Entre os exemplos citados pelo museólogo está o Heteropecten catarinensis, fóssil encontrado na região. Segundo João Pedro, materiais desse tipo fornecem evidências utilizadas em pesquisas sobre a configuração dos continentes e as condições ambientais existentes no passado. “Os fósseis são raros, sim. Heteropecten catarinensis só é encontrada aqui na região. Do ponto de vista de importância científica, ela ajuda a validar a deriva continental, quando os continentes eram juntos e depois se separaram”, afirma.
Além disso, os fósseis encontrados na região fornecem informações sobre períodos em que as características ambientais locais eram diferentes das atuais. “Demonstra a perspectiva de que aqui foi mar também, validada junto com outros fósseis do mundo. Os outros fósseis demonstram um passado de variedade de animais”, acrescenta.
Pesquisas paleontológicas em Taió começaram no século passado
O interesse científico pelo material encontrado em Taió não é recente. As primeiras pesquisas ocorreram ainda no início do século passado.
Ao longo dos anos, diferentes expedições recolheram fósseis na região. Parte desse material seguiu para instituições de pesquisa de outras cidades, segundo o museólogo. Entre os locais citados estão o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o Museu de Ciências da Terra e a Universidade de São Paulo (USP).
No próprio museu de Taió, além da paleontologia, a arqueologia está representada por materiais encontrados na região, como pontas de flecha. “Do ponto de vista arqueológico, nós temos as pontas de flecha, que muitas pessoas encontram na região. E, do ponto de vista histórico documental, temos os documentos da fundação da cidade”, conta João Pedro.
Documentos preservam registros das famílias de Taió
Outra frente de trabalho envolve a organização e digitalização do acervo documental. O museu guarda registros de compra e venda de terras, cartas e documentos relacionados às famílias que viveram no município.
Parte desse material remonta principalmente às décadas de 1930 e 1940. “Tem alguns móveis, documentos históricos de compra e venda de terras e documentos de chegada e saída com nomes das famílias. Isso até então não tinha sido muito pesquisado”, explica o museólogo.
João Pedro afirma que iniciou a digitalização desse conjunto após assumir o trabalho no museu. “Eu comecei a digitalizar agora, porque sou o primeiro museólogo aqui. O museu ficou também fechado muito tempo, mas esse material está bem preservado”, relata.
Cadeira de dentista e mapa histórico chamam atenção
Além dos fósseis, algumas peças costumam despertar a curiosidade de quem visita o espaço. Entre elas está uma antiga cadeira de dentista da década de 1950.
O acervo também possui um mapa histórico de Taió, além de móveis e objetos relacionados ao cotidiano das famílias. Assim, a exposição percorre períodos diferentes e permite observar mudanças ocorridas no município ao longo do tempo.
Museu de Taió recebe escolas gratuitamente
O Museu Paleontológico, Arqueológico e Histórico de Taió funciona de segunda a sexta-feira. Em alguns fins de semana, o espaço também recebe visitantes mediante programação ou agendamento. Para mais informações o telefone/whats é o 47 3562-8335.
As escolas do Alto Vale do Itajaí podem agendar visitas gratuitamente. Além da apresentação do acervo, a equipe pode adaptar as atividades aos conteúdos estudados pelos alunos. “A gente incentiva as escolas a virem. E deixamos claro que não é só uma visita histórica ou uma visita ao museu. A gente prepara o material de acordo com a necessidade do professor e da escola”, explica João Pedro.
Segundo o museólogo, temas trabalhados em sala de aula podem orientar a experiência dos estudantes dentro do espaço. “Se o professor está trabalhando com água, profissões ou temáticas específicas, a gente adapta a atividade para isso, gratuitamente”, conclui.
Acompanhe os detalhes na reportagem de Jean Carlos:
Cadeira do dentista e fósseis de conchas fazem parte do acervo do museu de Taió. Foto: MUPAH