O proprietário de uma loja de scooters elétricas foi preso preventivamente pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29), em Blumenau, suspeito de aplicar golpes contra clientes. O empresário também mantinha um estabelecimento em Ituporanga, onde uma consumidora afirma ter adquirido um veículo que posteriormente entregou para revisão e não recebeu de volta.
A investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Blumenau já identificou pelo menos 11 possíveis vítimas, com prejuízo estimado em mais de R$ 100 mil. Segundo a Polícia Civil, o investigado recebia scooters para manutenção ou comercialização, mas deixava de devolver os veículos ou repassar os valores aos proprietários.
A reportagem da Sintonia FM tomou conhecimento de uma moradora da região que relatou uma situação semelhante. Ela afirma ter registrado um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Petrolândia em setembro.
Cliente relata que scooter comprada em Ituporanga não foi devolvida após revisão
Segundo a consumidora, ela comprou uma scooter elétrica modelo R13, de mil watts, em março deste ano, na loja Mobi Center, que funcionava em Ituporanga. O pagamento ocorreu à vista, por Pix.
A cliente afirma que recebeu um contrato de compra e venda e garantia de um ano, mas não recebeu nota fiscal.
Em 22 de julho, o proprietário teria entrado em contato para realizar uma revisão de quilometragem, necessária, segundo ele, para manter a garantia do veículo.
Apesar de a scooter não apresentar problemas, a consumidora concordou com a revisão após a insistência do empresário. Ele teria buscado o veículo na residência da cliente e prometido devolvê-lo em aproximadamente uma semana.
Entretanto, conforme o relato, a entrega não aconteceu. "Passou um mês, passou dois, passou três e, dentro desses três meses, toda semana ele entrava em contato comigo", contou.
A moradora afirma que o empresário apresentava diferentes justificativas para o atraso, incluindo dificuldades financeiras, problemas de transporte e enchentes em Blumenau.
Moradora procurou a Polícia Civil após sucessivas promessas de entrega
Diante da demora, a consumidora decidiu procurar a Delegacia de Polícia de Petrolândia em setembro, onde afirma ter registrado um boletim de ocorrência.
Segundo ela, posteriormente outras pessoas entraram em contato relatando situações semelhantes envolvendo o mesmo estabelecimento. "Contaram para mim que estavam na mesma situação. As promessas, as mensagens, os prazos que nunca se cumpriram", relatou.
A moradora afirma que completou três meses sem a scooter em 22 de outubro. Até o momento do relato encaminhado à Rádio Sintonia, ela não havia recuperado o veículo.
Polícia Civil investiga prejuízo superior a R$ 100 mil com scooters elétricas
De acordo com o delegado Ronnie Esteves, responsável pela investigação em Blumenau, o proprietário da Mobi Center é suspeito de uma série de estelionatos envolvendo a venda e a manutenção de scooters elétricas.
A Polícia Civil identificou relatos de clientes que entregaram veículos para conserto ou comercialização e não conseguiram recuperá-los. Em outros casos, os proprietários não teriam recebido os valores das vendas.
Segundo os investigadores, o empresário apresentava justificativas relacionadas a problemas mecânicos e estabelecia novos prazos de entrega, que não cumpria.
Diante dos indícios de repetição das condutas, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva. A Justiça autorizou a medida para evitar a possível prática de novos delitos.
Após os procedimentos policiais, o investigado foi encaminhado ao Presídio Regional de Blumenau.
Empresário nega crimes e polícia busca identificar outras vítimas
Durante o interrogatório, conforme informações da NSC, o proprietário da loja negou ter praticado crimes.
Segundo a Polícia Civil, ele afirmou que havia firmado contratos com os clientes e que pretendia cumprir as obrigações. Entretanto, alegou que algumas pessoas não aceitaram as propostas apresentadas.
As investigações continuam para identificar possíveis novas vítimas e verificar se outras pessoas participaram das irregularidades.
O prejuízo estimado em mais de R$ 100 mil poderá aumentar conforme o avanço das apurações.
Dono de loja de scooters natural de Vidal Ramos, é preso em Blumenau. Foto: Reprodução / NSC