Economia

Congresso aprova aumento do teto do MEI para R$ 140 mil e perdão de dívidas

Projeto prevê aumento gradual do faturamento permitido, contratação de até dois funcionários e anistia para inadimplentes. 

Congresso aprova aumento do teto do MEI para R$ 140 mil e perdão de dívidas Congresso aprova aumento do teto do MEI. Foto: Reprodução / ACAERT Notícias

O Congresso Nacional aprovou um projeto que amplia o limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), permite a contratação de até dois empregados e prevê o perdão de dívidas da categoria.

Segundo as informações divulgadas pela Rede de Notícias ACAERT, o Senado aprovou a proposta com 78 votos favoráveis e nenhum contrário. A Câmara dos Deputados também aprovou o texto, que agora segue para sanção presidencial.

Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. Pela proposta, o limite aumentará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil a partir de 2028.

As mudanças ainda não estão em vigor e dependem da sanção presidencial.

 

Novo limite de faturamento do MEI terá aumento gradual

O projeto estabelece duas etapas para ampliar o teto de faturamento anual dos microempreendedores individuais.

Em 2027, o limite passará dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil. Já em 2028, o valor previsto será de R$ 140 mil.

A alteração poderá permitir que empreendedores com receitas maiores permaneçam no regime do MEI, que oferece recolhimento simplificado de tributos.

Além disso, a proposta autoriza a contratação de até dois funcionários. Atualmente, a legislação permite que cada MEI tenha apenas um empregado.

Com isso, a mudança poderá ampliar as possibilidades de contratação e crescimento dos pequenos negócios.

 

Projeto prevê anistia de dívidas para microempreendedores individuais

Outra medida prevista no texto é a anistia de dívidas de microempreendedores individuais inadimplentes.

De acordo com as informações apresentadas sobre a proposta, o benefício prevê o perdão integral dos débitos abrangidos pela medida.

A iniciativa provocou discussões no Congresso sobre o tratamento dado aos empreendedores que mantiveram seus pagamentos em dia.

Apesar de apoiar o projeto, o senador catarinense Jorge Seif (PL) questionou a ausência de benefícios para os contribuintes adimplentes.

 

Jorge Seif critica falta de benefício para MEIs que pagaram em dia

Durante a discussão da proposta, o senador Jorge Seif votou favoravelmente às mudanças, mas manifestou preocupação com os efeitos da anistia.

Segundo o parlamentar, o perdão das dívidas pode gerar uma sensação de desigualdade entre os microempreendedores.

"Hoje o devedor está recebendo o perdão total, meritório, mas aquele que pagou fica extremamente se sentindo um bobo, se sentindo lesado", afirmou.

O senador também avaliou que a medida pode incentivar outros contribuintes a deixarem de pagar suas obrigações.

"Isso acaba sendo também um incentivo a que outros entrem em inadimplência", declarou.

 

Mudanças para o MEI dependem de sanção presidencial

Embora tenha recebido aprovação nas duas Casas do Congresso, o projeto ainda precisa da sanção presidencial para se transformar em lei.

Durante a votação, parlamentares da oposição também criticaram o momento escolhido para analisar a proposta, a poucos dias do segundo turno das eleições de 2026.

Caso o texto receba sanção, os novos limites de faturamento começarão a valer conforme o calendário previsto.

Até lá, permanece o teto anual de R$ 81 mil, assim como a regra que permite ao MEI contratar apenas um empregado.

 

Atenção aos critérios para o perdão das dívidas

Conforme a Agência Senado, a anistia abrangerá débitos com a União até 13 de outubro de 2026, inscritos ou não na Dívida Ativa. Para manter o benefício, o empreendedor precisará pagar em dia as contribuições dos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Também deverá solicitar a anistia e desistir de eventuais ações judiciais relacionadas aos débitos.

Essas condições são importantes para evitar a interpretação de que todas as dívidas dos MEIs serão perdoadas automaticamente.

 

Ouça a reportagem de Rita Sardi.

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