Uma reunião realizada nesta sexta-feira, dia 17, em Ituporanga colocou em pauta a situação da cadeia produtiva da cebola no Alto Vale. O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), lideranças locais e a deputada federal Ana Paula Lima, além de produtores da região.
Durante a conversa, quatro pontos principais foram apresentados pelos representantes do município. As demandas envolvem a comercialização da cebola, a fiscalização de produtos importados, mudanças na forma de classificação e a redução da burocracia para exportação.
Comercialização da cebola e acordo com Mercosul
Um dos temas centrais foi a necessidade de estabelecer uma janela de comercialização alinhada ao Mercosul. A proposta busca organizar melhor a entrada de produtos estrangeiros no mercado, evitando impacto direto sobre a produção regional em períodos críticos.
De acordo com o superintendente do MAPA, Ivanor Boing, o assunto envolve negociação com outros países e depende de articulação em nível federal. “O Mercosul é estratégico para o Brasil, mas precisamos planejar essa janela de comercialização para atender melhor o setor”, afirmou.
Além disso, a discussão ganha relevância diante da concorrência com produtos importados, que afetam diretamente o preço pago ao produtor.
Fiscalização fitossanitária e controle de importação
Outro ponto apresentado foi o pedido por maior rigor na fiscalização fitossanitária de produtos vindos do exterior. A preocupação envolve a entrada de mercadorias que podem não seguir os mesmos padrões exigidos no Brasil.
Segundo o superintendente do MAPA, Ivanor Boing, a demanda será encaminhada para análise técnica dentro do ministério. “Vamos levar essa demanda para verificar as questões fitossanitárias que foram apresentadas aqui”, disse.
Nesse sentido, a medida busca garantir equilíbrio entre os produtos nacionais e importados, além de assegurar condições adequadas para a produção regional.
Classificação da cebola por quilo entra em discussão
A proposta de comercializar a cebola por quilo, substituindo o modelo atual baseado no tamanho, também foi debatida durante a reunião. A mudança é vista por produtores como uma alternativa para melhorar a padronização da venda.
No entanto, conforme o superintendente do MAPA, Ivanor Boing, o tema exige análise mais aprofundada. “Essa é uma questão que precisa ser discutida internamente, porque muitas vezes a classificação atende a exigências do próprio mercado”, afirmou.
Assim, a avaliação deve considerar tanto os interesses dos produtores quanto as demandas comerciais já estabelecidas.
Burocracia para exportação e acesso a mercados
A redução da burocracia para exportação também entrou na pauta, principalmente diante da dificuldade enfrentada pelos produtores para acessar mercados internacionais. Os processos administrativos e exigências técnicas foram citados como entraves.
A deputada federal Ana Paula Lima destacou que o diálogo com o governo federal já foi iniciado para buscar alternativas. “A gente acredita que, através do diálogo, é possível encaminhar soluções para problemas como esse”, afirmou.
Além disso, ela lembrou que o Brasil ampliou o número de mercados internacionais nos últimos anos, o que pode abrir oportunidades para a cebola produzida no Alto Vale.
Próximos passos e encaminhamentos do setor
As propostas discutidas durante a reunião devem ser formalizadas para que avancem dentro do Ministério da Agricultura e em outras instâncias. Parte das medidas depende de articulação com diferentes órgãos e também de negociações internacionais.
Segundo o superintendente do MAPA, Ivanor Boing, o compromisso é dar encaminhamento às demandas apresentadas pelos produtores. “Vamos trabalhar essas frentes internamente e também com outras instituições”, disse.
A reunião marca mais uma etapa nas tratativas sobre o setor da cebola, que enfrenta desafios relacionados à comercialização e competitividade no mercado.
Reunião sobre cebola em Ituporanga. Foto: Berta Thiesen / Sintonia FM