Justiça

Após não vacinar filhos, pai relata multa de quase R$1 milhão; MP aponta descumprimento de decisões

Caso ganhou repercussão após vídeo de pai circular nas redes sociais. De acordo com MP, ele não teria vacinado os três filhos em Ituporanga.

Após não vacinar filhos, pai relata multa de quase R$1 milhão; MP aponta descumprimento de decisões Vacina. Foto: Reprodução / UOL

A 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ituporanga afirmou que a multa aplicada a um casal do município decorre do descumprimento de decisões judiciais sucessivas relacionadas à vacinação dos filhos. O caso ganhou repercussão após o pai relatar, em vídeo publicado nas redes sociais, que ele e a esposa teriam sido condenados a pagar quase R$ 1 milhão por não vacinarem as três crianças.

De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, a Justiça determinou a regularização da imunização dos filhos conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Ainda segundo a Promotoria, a multa se acumulou porque os pais não cumpriram a decisão judicial, mesmo após sentença e manutenção da decisão pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

 

Multa por não vacinar filhos em Ituporanga

Em nota, a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca informou que “a multa aplicada a um casal de Ituporanga é resultado direto da insistência no descumprimento de decisões judiciais sucessivas”.

O pai, por outro lado, afirmou em vídeo que o valor seria “totalmente desproporcional” aos rendimentos da família. No relato, ele disse: “Agora temos que pagar quase um milhão de reais”.

Conforme a versão apresentada pelo pai, a recusa em vacinar começou no fim de 2017. Ele relatou que o filho mais velho, hoje com nove anos, teria apresentado uma reação adversa após receber vacina aos seis meses. Depois disso, segundo ele, o casal passou a estudar o tema e decidiu interromper a vacinação da criança. Os outros dois filhos, de sete anos e quase quatro anos, também não teriam sido vacinados.

 

Ministério Público cita calendário vacinal incompleto

Segundo o Ministério Público, a atuação no caso ocorreu após apuração de que o esquema vacinal das crianças estava “extremamente incompleto”. A Promotoria informou ainda que algumas delas não tinham qualquer vacina registrada na caderneta de saúde, conforme dados apresentados pela Secretaria de Saúde de Ituporanga.

Na nota, o MP afirmou que a situação coloca em risco a saúde das crianças e também da comunidade. O órgão citou doenças como sarampo, coqueluche e poliomielite, que voltaram a preocupar o país em razão da baixa cobertura vacinal.

O Ministério Público também informou que a Justiça determinou uma perícia para avaliar se haveria contraindicação à vacinação das crianças. Conforme a Promotoria, a perícia concluiu que não havia risco para a continuidade do plano vacinal.

 

Decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de SC

Ainda de acordo com a nota oficial, os pais não regularizaram a situação vacinal mesmo após a sentença e a manutenção da decisão pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Com isso, a multa diária continuou sendo contabilizada ao longo do processo.

A Promotoria afirmou que sua atuação busca garantir direitos previstos na legislação brasileira, especialmente o direito à saúde e à proteção integral de crianças e adolescentes.

“O Ministério Público busca garantir a efetividade de direitos fundamentais assegurados pela legislação brasileira, notadamente o direito à saúde e à proteção integral de crianças e adolescentes”, informou a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca.

 

MP pediu reavaliação do valor da multa

Apesar da cobrança, o Ministério Público informou que também atua para assegurar proporcionalidade e razoabilidade nas medidas judiciais. Segundo a nota, o órgão pediu ao Juízo a reavaliação do valor da multa no curso do cumprimento da sentença, desde que a decisão judicial seja cumprida.

A manifestação oficial não informa o valor atual da multa. O montante de quase R$ 1 milhão aparece no relato feito pelo pai nas redes sociais.

Até o momento, a Prefeitura de Ituporanga e a Justiça não se manifestaram publicamente sobre o caso, conforme as informações disponíveis.

 

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