Alunos do 9º ano da Escola de Educação Básica Dr. Frederico Rolla, em Atalanta, desenvolveram o projeto Catarina por Elas para a feira de Matemática, voltado à conscientização sobre a violência contra a mulher.
O trabalho surgiu a partir de uma proposta apresentada pela professora Maiara Lutz Makufka e reuniu pesquisa, análise de dados, debate em sala de aula e o desenvolvimento de um protótipo de aplicativo chamado Flora.
Tema surgiu em sala de aula
Segundo a professora Maiara, a ideia foi apresentada aos estudantes pela relevância do tema e pelo aumento dos casos de violência também em Santa Catarina.
Ela explicou que os alunos se envolveram com a proposta por reconhecerem que o assunto está próximo da realidade de muitas famílias, já que todos convivem com mães, irmãs, primas, amigas e outras mulheres.
Antes da pesquisa, os estudantes conheceram diferentes formas de violência contra a mulher, além da violência física e sexual, como a psicológica, moral e patrimonial.
Questionário ouviu alunos do 9º ano
Depois da etapa de estudo, os alunos aplicaram um questionário com 46 estudantes das duas turmas do 9º ano.
O objetivo foi avaliar o conhecimento dos próprios colegas sobre o tema, os tipos de violência, os canais de denúncia e os sinais de pedido de ajuda.
Segundo a professora, os dados mostraram diferenças na forma como meninas e meninos enxergam a violência contra a mulher. A pesquisa também apontou desconhecimento de parte dos alunos sobre programas de proteção e números de emergência.
Estudantes ficaram impressionados com os dados
Entre os alunos envolvidos estão Braian Zanelatto Adriano, Bruno Gabriel Siewert Sebold e Luis Otávio Krieger. Eles relataram que a pesquisa mostrou que o problema é mais próximo e mais grave do que imaginavam antes do trabalho.
Os estudantes também destacaram preocupação com o fato de muitos colegas não conhecerem sinais de pedido de ajuda ou canais que podem ser acionados em casos de violência.
Os dados coletados foram organizados em gráficos, permitindo comparar as respostas e visualizar melhor o nível de conhecimento dos alunos sobre o tema.
Protótipo de aplicativo foi criado com apoio de inteligência artificial
A partir da pesquisa, os estudantes buscaram uma solução usando tecnologia. Com apoio de inteligência artificial, eles desenvolveram o protótipo do aplicativo Flora.
A proposta é que a ferramenta funcione como um meio rápido e discreto para pedir ajuda em situações de violência, permitindo o envio de localização em tempo real.
Por enquanto, o Flora é um projeto escolar e não está oficialmente integrado aos serviços de emergência.
Aplicativo teria aparência discreta
Um dos pontos pensados pelos estudantes foi a segurança de quem eventualmente utilizaria a ferramenta.
Por isso, o protótipo foi desenvolvido para ter aparência discreta no celular, semelhante a uma lista de compras ou bloco de notas. A ideia seria evitar que um agressor identificasse rapidamente a função real do aplicativo.
Projeto pode ser ampliado
A professora Maiara explica que o trabalho ainda está em desenvolvimento. A intenção é apresentar a proposta para outros alunos e, futuramente, estudar formas de aplicar a tecnologia também em outros temas sociais, como racismo e homofobia.
Para os estudantes, o objetivo é que a ideia não fique apenas como um trabalho escolar. Eles demonstram interesse em aperfeiçoar o protótipo e buscar caminhos para que, no futuro, a ferramenta possa ser efetivamente utilizada.
Confira os detalhes na reportagem especial de Jean Carlos:
Foto: Estefani Klettenberg