Alto Vale

Alerta de chuva de pedra na Região da Cebola: como vai funcionar o antigranizo?

Com 53 geradores instalados na região, sistema é monitorado 24 horas.

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Alerta de chuva de pedra na Região da Cebola: como vai funcionar o antigranizo? Sistema Antigranizo em Imbuia. Foto: Reprodução / Prefeitura de Imbuia no Facebook

A possibilidade de chuva de granizo no Alto Vale colocou em atenção o sistema antigranizo instalado em Ituporanga e municípios da região. O alerta ocorre durante a passagem de uma frente fria por Santa Catarina entre quarta-feira, dia 9, e sexta-feira, dia 11.

O funcionamento dos equipamentos depende da formação e da intensidade das nuvens. Por isso, os técnicos acompanham as condições atmosféricas por radar, satélite e outros sistemas de monitoramento. No caso de Ituporanga e região, a operação é feita remotamente pela AGF Granizo Fraiburgo. Segundo a empresa, os 53 geradores podem ser acionados quando a instabilidade atinge os municípios atendidos.

Geradores antigranizo não têm tempo fixo de funcionamento

O meteorologista da AGF Granizo Fraiburgo, João Rolin, explica que não existe um período padrão para manter os equipamentos ligados. “Isso depende de sistema para sistema. A gente fica observando as nuvens através de radar e satélite e vê quando elas estão formando e quando não vão mais formar granizo”, explica.

De acordo com o meteorologista, o desligamento ocorre quando o monitoramento indica que as condições para formação de granizo deixaram de existir. “Você não tem um tempo exato. Vai depender de caso a caso, de cada dia”, afirma.

Iodeto de prata atua na formação das pedras de gelo

O sistema utiliza iodeto de prata para interferir no processo de formação do granizo.

Segundo o meteorologista João Rolin, as nuvens se formam a partir da combinação de calor e umidade. À medida que as gotas de água sobem para regiões mais frias da atmosfera, elas podem congelar e formar pedras de gelo.

O iodeto de prata aumenta a quantidade de núcleos disponíveis para esse congelamento. “O iodeto de prata nada mais é do que núcleos congelantes. Ao invés de ter duas gotas e dois granizos grandes, você vai ter uma quantidade muito maior de partículas menores”, explica.

Na prática, o objetivo do sistema é reduzir o tamanho das pedras de gelo antes que elas cheguem ao solo.

Monitoramento do antigranizo ocorre 24 horas por dia

A operação dos geradores depende da época do ano e das condições de instabilidade da atmosfera. A AGF Granizo Fraiburgo realiza o acompanhamento de forma remota e mantém o monitoramento durante 24 horas.

Segundo João Rolin, quando as condições indicam risco de formação de granizo, os equipamentos entram em operação. Depois, permanecem ligados enquanto houver possibilidade de desenvolvimento das nuvens com potencial para gerar pedras de gelo.

O resultado pode variar conforme cada situação. Em alguns casos, o granizo pode se desfazer antes de chegar ao solo. Em outros, podem cair pedras menores.

Meteorologista afirma que iodeto de prata não causa impacto relevante

Outro ponto levantado durante a entrevista foi o possível impacto ambiental do iodeto de prata.

Segundo o meteorologista João Rolin, estudos realizados pela empresa com amostras de água da chuva e do solo encontraram quantidade de prata abaixo do nível mínimo detectável. “Os resultados deram uma quantidade menor do que traço, ou seja, menor do que a mínima tolerável na atmosfera”, afirma.

De acordo com ele, a quantidade utilizada no sistema é pequena em relação à área atendida. Com a passagem da frente fria, a orientação é acompanhar os alertas meteorológicos, já que o acionamento dos geradores depende da evolução das condições atmosféricas ao longo do período.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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