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Sobra da produção do queijo é matéria prima do Whey e cria oportunidades para setor leiteiro

Aumento de 24% no preço do soro de leite entre junho e setembro amplia perspectivas de industrialização e valorização da produção leiteira.

Sobra da produção do queijo é matéria prima do Whey e cria oportunidades para setor leiteiro Proteína whey - Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução / Site RNA

A crescente procura por alimentos ricos em proteínas, especialmente produtos à base de whey, abre novas oportunidades para o setor leiteiro brasileiro. Segundo levantamento da MilkPoint Mercado, o preço do soro de leite aumentou 24% entre junho e setembro de 2026 no Brasil. O ingrediente, que resulta da fabricação de queijos, serve como matéria-prima para suplementos proteicos e outros produtos alimentícios.

O crescimento desse mercado também chama a atenção da indústria catarinense. A possibilidade de transformar o soro em produtos de maior valor agregado pode contribuir para a industrialização do leite e a diversificação das fontes de receita do setor.

Produção de whey pode agregar valor à cadeia leiteira

Para o diretor de Relações Institucionais da União Catarinense dos Produtores de Leite, Anderson Bianchi, ampliar a industrialização é um dos caminhos para proporcionar maior estabilidade à atividade. “Hoje o Brasil é um país que consome muito pouco queijo. A maior parte do leite é consumida na forma de leite in natura, então não consegue agregar valor”, explica.

Segundo Bianchi, o aproveitamento do soro na fabricação de whey representa uma alternativa para ampliar o valor econômico dos derivados lácteos. “O whey é uma das possibilidades interessantes. É um produto resultante da transformação do leite em queijo, agrega bastante valor porque está tendo um mercado interessante pelo hábito alimentar das pessoas”, afirma.

Além disso, o representante do setor considera que o aumento da industrialização pode beneficiar diferentes etapas da cadeia produtiva, desde as propriedades rurais até as empresas responsáveis pelo processamento.

Industrialização do leite pode reduzir custos de transporte

Outro desafio apontado pelo diretor é a necessidade de diversificar a produção de derivados, como queijos, iogurtes e doces de leite. Esses alimentos possuem menor concentração de água e podem representar maior valor comercial por quilo transportado.

Bianchi cita como exemplo o leite longa vida produzido em Santa Catarina e comercializado em outros estados, como São Paulo. Segundo ele, aproximadamente 88% do produto é composto por água, o que influencia os custos de transporte. “A gente tem um grande custo de transporte, um grande custo logístico”, observa.

O diretor também compara o valor comercial do leite com o de produtos industrializados. “Então o mesmo quilo, em vez de ir em leite, podia ir em queijo, que aí em vez de ser três, quatro reais naquele quilo são 30 e poucos reais”, exemplifica. Nesse contexto, a transformação do leite em derivados permitiria ampliar o valor agregado da produção e reduzir a necessidade de transportar grandes volumes de produtos com maior concentração de água.

Brasil ainda depende da importação de soro de leite para whey

Apesar do crescimento da procura por whey, cerca de 70% do soro de leite utilizado nesses produtos consumidos no Brasil é importado, conforme os dados apresentados na reportagem. A capacidade nacional de processar o soro e transformá-lo em ingredientes proteicos ainda é limitada. Por isso, a ampliação dessa estrutura representa uma oportunidade para a indústria brasileira.

De acordo com Anderson Bianchi, empresas catarinenses já acompanham as possibilidades de expansão desse mercado. “A indústria entendeu que esse é um bom produto. E tem essa questão que as pessoas estão buscando mais alimentos proteicos, então é uma fonte interessante e a demanda só tende a aumentar”, avalia.

A expansão do processamento também pode ampliar o aproveitamento do soro gerado na fabricação de queijos, criando novas possibilidades comerciais para um subproduto da indústria de laticínios.

Setor leiteiro movimentou R$ 8 bilhões em Santa Catarina

Conforme dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a atividade leiteira movimentou aproximadamente R$ 8 bilhões no estado em 2025. O resultado colocou o leite na posição de terceira maior atividade econômica agropecuária catarinense naquele ano.

Diante desse cenário, o crescimento do mercado de whey surge como uma possibilidade de diversificação para o setor. Entretanto, o aproveitamento dessa demanda depende de investimentos no processamento industrial e na fabricação de derivados com maior valor agregado.

Confira os detalhes na reportagem de Arthur Westphalen, da Rede de Notícias ACAERT:

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