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Reunião entre governador e indígenas sobre barragem de José Boiteux traz trégua ao impasse

Encontro ocorreu depois de manifestação terminar com paredes da estrutura de contenção de cheias no Alto Vale destruídas.

Reunião entre governador e indígenas sobre barragem de José Boiteux traz trégua ao impasse Eduardo Valente/Divulgação

O governador Jorginho Mello se reuniu com representantes indígenas de José Boiteux nesta sexta-feira (7) e voltou a reforçar, em tom apaziguador, que sairá do papel o plano de entregar 30 casas ao povo Xokleng na região da barragem. Com a trégua, a Celesc conseguirá entrar na reserva para fazer a vistoria da estrutura de contenção das cheias, que precisa de manutenção. Nesta quinta-feira (6), o local amanheceu depredado depois de uma manifestação dos indígenas.

Um dos caciques que participou do encontro foi Rafael Ndili. Para ele a conversa foi produtiva, já que partiu do Estado a iniciativa. Agora, os envolvidos — entre eles o prefeito de José Boiteux e o secretário de Defesa Civil — devem se reunir novamente ainda neste mês, mas em Florianópolis.

— A princípio o acordo vai ser cumprido pela prefeitura, com a construção da escola e mais 30 casas — detalhou.

O acordo em questão é uma história antiga. A ação foi determinada pela Justiça há uma década e é uma compensação pelos danos provocados pela construção da barragem dentro de uma reserva indígena, afetando as moradias e a rotina da comunidade.

A reunião desta sexta ocorreu depois da barragem no Alto Vale do Itajaí amanhecer na quinta-feira (6) com os muros e paredes da estrutura destruídos após uma manifestação indígena. Os moradores reclamaram que foram informados que o Estado iria ao local para iniciar os reparos nas comportas, mas não tiveram nenhuma contrapartida em relação às medidas compensatórias.

Na contramão do cenário que se instaurou na terra indígena, o governo do Estado decidiu usar um tom apaziguador. Apesar de repudiar os atos de vandalismo, focou em falar sobre o que vai fazer para resolver as demandas históricas dos moradores locais e recolocar a estrutura em pleno funcionamento.

Assim, o repasse de R$ 3,6 milhões será feito pelo governo do Estado à prefeitura, que terá a missão de lançar nos próximos dias o edital de licitação para construir os imóveis para os indígenas. Em paralelo, a equipe da Celesc passará a frequentar a barragem a partir da semana que vem para fazer a inspeção necessária, que antecede as obras de recuperação da barragem.

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