Agro

Lula veta projeto dos safristas; Pezenti articula derrubada no Congresso

Deputado catarinense afirma que bancada ruralista vai tentar derrubar veto ao projeto que mantinha benefícios sociais para trabalhadores da safra.

Publicidade
Lula veta projeto dos safristas; Pezenti articula derrubada no Congresso Plantação manual de cebola - Foto: Vale Agrícola no Youtube

O deputado federal catarinense Pezenti (MDB) criticou o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que permitia aos trabalhadores safristas manterem benefícios sociais, como o Bolsa Família, durante contratos temporários no campo.

O veto foi publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 11 de junho. O Executivo justificou o veto sob o argumento de inconstitucionalidade e criação de despesa obrigatória de caráter continuado sem previsão orçamentária.

A proposta, aprovada pelo Congresso, retirava a renda do contrato de safra do cálculo usado para a manutenção de benefícios sociais. Com isso, trabalhadores poderiam atuar formalmente no plantio e na colheita sem perder o acesso ao programa.

Em entrevista exclusiva à Rádio Sintonia, o deputado federal Pezenti afirmou que a decisão prejudica produtores rurais e trabalhadores que atuam nas safras. Segundo ele, a Frente Parlamentar da Agropecuária já iniciou articulação para derrubar o veto no Congresso Nacional. “Esse veto que ele fez vai ser derrubado. Nós vamos derrotar o governo nesse veto”, disse o deputado federal Pezenti.

Projeto dos safristas e Bolsa Família

O projeto vetado tratava da formalização do trabalho rural em períodos de safra. A proposta previa que a remuneração obtida em contrato de safra não entrasse no cálculo da renda familiar para manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família.

Na prática, o texto buscava permitir que beneficiários trabalhassem com carteira assinada em atividades temporárias do campo, sem perder o benefício durante esse período. Para Pezenti, a medida daria mais segurança jurídica a produtores e trabalhadores. “Esse projeto permite que os beneficiários do Bolsa Família possam trabalhar no plantio e na colheita da safra, registrados, sem perder o Bolsa Família”, afirmou o deputado federal Pezenti.

De acordo com a Agência Câmara, a proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e enviada à sanção presidencial após análise de alterações feitas pelo Senado.

Crítica de Pezenti ao veto presidencial

Durante a entrevista, Pezenti afirmou que o veto causa frustração ao setor produtivo. O deputado também disse que o projeto foi construído ao longo de mais de dois anos e teve apoio de parlamentares da oposição e da base do governo.

Segundo ele, a formalização dos contratos beneficiaria trabalhadores, produtores rurais e o próprio governo, por meio da arrecadação sobre os vínculos de trabalho. “Isso é bom para os trabalhadores, porque eles passam a atuar na formalidade, amparados pela legislação, com INSS e FGTS. Esse projeto também é bom para o governo, porque passa a recolher imposto sobre esses contratos de trabalho”, declarou Pezenti.

O parlamentar também relacionou o veto à dificuldade de contratação de mão de obra no campo. Conforme o deputado, muitos produtores enfrentam problemas para encontrar trabalhadores durante o período de safra.

Congresso pode derrubar veto

O veto presidencial será analisado pelo Congresso Nacional. Pelas regras legislativas, deputados e senadores podem manter ou derrubar a decisão do presidente em sessão conjunta. Para a rejeição do veto, é necessária maioria absoluta dos votos de deputados e senadores.

Pezenti afirmou que a bancada ruralista pretende atuar para reverter a decisão. Segundo ele, a articulação começou logo após a publicação do veto no Diário Oficial da União. “Assim que ele publicou o veto no Diário Oficial da União, nós já nos reunimos com a diretoria da Frente Parlamentar da Agropecuária e começamos a articulação para derrubar esse veto”, disse o deputado.

O parlamentar também afirmou que espera a derrubada do veto ainda a tempo de beneficiar contratações na próxima safra.

Seguro rural também foi citado

Além do veto ao projeto dos safristas, Pezenti criticou o bloqueio de recursos do seguro rural. Segundo reportagem da CNN Brasil, o contingenciamento em 2026 chega a R$ 461,7 milhões, enquanto a verba prevista era de R$ 1,1 bilhão.

O Sistema Faep também se manifestou contra o bloqueio no orçamento do seguro rural. A entidade informou que o corte, caso confirmado, representa 45,7% dos recursos do programa.

Na entrevista, o deputado afirmou que produtores de cebola podem ser afetados caso o governo não garanta recursos para a subvenção do seguro rural. “Se tudo acontecer conforme está acontecendo, mais boleto vai chegar para o produtor pagar”, afirmou Pezenti.

O deputado também citou um projeto em tramitação no Senado, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca garantir recursos para a subvenção do seguro rural. Segundo ele, a medida é uma alternativa para evitar novos prejuízos aos produtores.

Impacto para produtores rurais

Para Pezenti, o veto ao projeto dos safristas e o bloqueio no seguro rural atingem diretamente o campo. O deputado afirmou que continuará cobrando o governo federal em Brasília. “Eu estou todo dia na cola do governo, pedindo um pouco mais de respeito para quem produz”, disse o deputado federal Pezenti.

A decisão sobre o veto ainda depende de análise do Congresso Nacional. Enquanto isso, produtores rurais e entidades ligadas ao agronegócio acompanham a movimentação em Brasília, especialmente em regiões onde a contratação temporária de trabalhadores é comum durante o plantio e a colheita.

Publicidade

Outras Notícias