Alto Vale

Granizo causa prejuízo milionário e atinge 250 propriedades rurais em Rio do Campo

Relatório da Epagri aponta danos em dois mil hectares de lavouras de tabaco, milho e soja. Estruturas rurais e residências também foram atingidas.

Granizo causa prejuízo milionário e atinge 250 propriedades rurais em Rio do Campo Granizo causa prejuízo milionário em Rio do Campo. Foto: Defesa Civil de Rio do Campo

O temporal de granizo que atingiu Rio do Campo, no Alto Vale do Itajaí, na noite de terça-feira (3), provocou prejuízos estimados em R$ 32,45 milhões no município. Segundo relatório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), aproximadamente 250 estabelecimentos agropecuários foram afetados, com danos em cerca de dois mil hectares de lavouras.

Desse total, R$ 32 milhões correspondem às perdas na produção agrícola, enquanto outros R$ 450 mil são referentes aos danos em coberturas de residências e estruturas rurais. Em entrevista à Rádio Sintonia, o coordenador municipal da Defesa Civil, Valter Junkes, explicou que o granizo atingiu diversas comunidades, principalmente aquelas que concentram produtores de tabaco.

O fenômeno ocorreu por volta das 20h30 e, segundo o coordenador, durou aproximadamente 15 minutos, mas teve intensidade suficiente para destruir plantações e danificar construções.

Comunidades produtoras de tabaco estão entre as mais atingidas

Conforme Valter Junkes, as localidades afetadas incluem Rio Azul, Alto Rio Azul, Santa Maria, Rio da Prata, Varaneira e Mirador. Entre elas, Santa Maria e Rio da Prata registraram danos expressivos nas lavouras de tabaco, atividade que representa uma importante fonte de renda para as famílias dessas comunidades.

O coordenador explicou que o município já havia enfrentado outro episódio de granizo no sábado (31), porém com abrangência menor, concentrado em uma localidade. O temporal de terça-feira (03) atingiu uma área maior, alcançando diferentes comunidades de Rio do Campo e também municípios vizinhos, como Santa Terezinha.

Tabaco estava próximo da colheita e sofreu perdas severas

O relatório técnico da Epagri, elaborado em 4 de novembro, aponta que o tabaco estava em início de colheita, com aproximadamente 90% da produção ainda por ser retirada das lavouras. Com a intensidade do granizo, parte significativa das plantas sofreu danos que comprometem a continuidade da produção nesta safra.

Já as lavouras de milho e soja estavam em estágio inicial de desenvolvimento. Além do granizo, as plantações haviam enfrentado problemas de germinação e baixo desenvolvimento devido ao período prolongado de chuvas. Segundo a Epagri, as áreas atingidas apresentam danos superiores a 60% das plantas, situação que compromete a viabilidade econômica de um novo plantio em parte das propriedades.

Valter Junkes explicou que, diferentemente do tabaco, milho e soja ainda podem ser replantados em algumas áreas, embora isso represente novos custos para os agricultores. “O milho e a soja até conseguem replantar, mas tudo é custo. O fumo não consegue mais agora”, afirmou.

Prejuízos podem afetar a economia do município

Além das perdas diretas na agricultura, o coordenador da Defesa Civil manifestou preocupação com os efeitos financeiros sobre o comércio local. Segundo Valter, a redução da renda dos produtores poderá diminuir a circulação de dinheiro no município nos próximos meses.

Parte dos fumicultores possui cobertura do Sistema Mutualista da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mas o coordenador explicou que os valores recebidos não necessariamente compensam toda a renda que seria obtida com a comercialização da produção.

A situação também preocupa os produtores de milho e soja, já que nem todos possuem seguro agrícola. “Alguns têm custeio, mas muitos plantam sem custeio e, nesse caso, não têm o seguro vinculado ao financiamento”, relatou.

Confira os detalhes na fala do Coordenador da Defesa Civil de Rio do Campo, Valter Junkes: 

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