O ex-prefeito de Aurora Alexsandro Kohl, conhecido como Xandão, negou ter investido R$ 350 mil na realização da Expo Aurora. Ele também declarou que não participou de acordo para receber de volta o valor e dividir os lucros do evento.
A manifestação ocorreu durante entrevista à Rádio Sintonia. Xandão comentou as diligências do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o GAECO, e explicou sua relação com o empresário José Clemir Spinelli.
A Operação Pão e Circo apura suspeitas de cartel, fraude em licitações, manipulação de preços, corrupção e lavagem de dinheiro no setor de eventos. Em 7 de julho, o GAECO cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, entre eles Aurora. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores.
Relação entre Xandão e José Clemir Spinelli
Durante a entrevista, o ex-prefeito confirmou que mantém uma relação pessoal com Spinelli. Segundo Xandão, ele e a esposa são padrinhos de casamento do empresário. “Eu sou compadre do Spinelli. Eu e a minha esposa somos padrinhos de casamento dele”, declarou.
Conforme o ex-prefeito, a aproximação começou durante a organização de eventos municipais. O primeiro contato teria ocorrido em Laurentino, quando Xandão conheceu uma festa que serviu de referência para projetos realizados posteriormente em Aurora.
Depois disso, os dois trabalharam na organização da Expo Aurora. Spinelli também participou do Seminário Nacional da Cebola realizada no município. “Nós não sabíamos como funcionava esse esquema que o Ministério Público está investigando. O nome da nossa empresa, o meu, o da minha esposa e o da minha família apareceu, mas estamos à disposição para esclarecer”, afirmou.
Ex-prefeito nega investimento na Expo Aurora
A entrevista também abordou a suspeita de que Xandão teria atuado como investidor oculto da Expo Aurora. Segundo informações apresentadas durante o programa Café com João, a investigação cita um possível aporte de R$ 350 mil.
O valor seria devolvido ao ex-prefeito, enquanto o lucro líquido do evento seria dividido entre Xandão, Spinelli e a esposa do empresário. O ex-prefeito negou essa versão. “Claro que não. Jamais. Nós ficamos surpresos, porque isso é mentira. Eu não fiz aporte nenhum na festa”, declarou.
As informações relacionadas à Expo Aurora deverão ser analisadas em procedimento separado. Alexsandro Kohl não estava entre as dez pessoas denunciadas na ação divulgada até o momento, conforme reportagem publicada anteriormente pela Rádio Sintonia.
R$ 350 mil seriam de negócio com mercadorias
De acordo com Xandão, os R$ 350 mil estavam ligados a outro negócio realizado com Spinelli. O ex-prefeito relatou que participou da compra de um lote de mercadorias devolvidas ao Mercado Livre.
Segundo ele, o investimento ocorreu em uma negociação por meio de leilão. As mercadorias foram armazenadas em um galpão alugado em Aurora e posteriormente vendidas. “Eu paguei, a minha empresa pagou e existe o Pix para comprovar. Compramos essa mercadoria e alugamos um galpão em Aurora”, explicou.
O acordo, conforme Xandão, previa a devolução dos R$ 350 mil investidos. Depois disso, o lucro obtido com as vendas seria dividido entre ele e Spinelli. “Se desse R$ 100 mil de lucro, seriam R$ 50 mil para o Xandão e R$ 50 mil para o Clemir”, afirmou.
Por outro lado, o ex-prefeito declarou que não teve conversas sobre esse negócio com outras pessoas mencionadas na investigação.
Xandão coloca contas à disposição do Ministério Público
O ex-prefeito afirmou que autorizou o acesso às movimentações bancárias pessoais, familiares e empresariais. Segundo ele, os documentos poderão demonstrar a origem e o destino dos valores investigados. “As nossas contas bancárias estão à disposição do Ministério Público. Todas as transferências e todos os recebimentos podem ser analisados”, disse.
Além disso, Xandão declarou que não recebeu recursos relacionados à Expo Aurora. Ele afirmou que os únicos valores públicos recebidos durante os oito anos de mandato foram os salários e as diárias previstas em lei. “Nunca peguei um centavo público, além do meu salário de prefeito e das diárias para viagens a Florianópolis e Brasília, dentro da lei”, declarou.
A Operação Pão e Circo tramita sob sigilo. Os materiais recolhidos nas diligências passam por perícia e análise das equipes responsáveis pela investigação.
Confira os detalhes na entrevista realizada durante o Café com João da Sintonia FM:
Ex-prefeito de aurora, Alexsandro Kohl. Foto: Reprodução / Alexsandro Kohl no Facebook