Alto Vale

Estudantes de Imbuia vão representar Santa Catarina em competição nacional de empreendedorismo

Sabriny de Kássia Brito e Tauane Scheffer, alunas da EEB Frei Manoel Philippi, apresentarão o projeto Caminho das Águas em Brasília.

Estudantes de Imbuia vão representar Santa Catarina em competição nacional de empreendedorismo Alunas Tauane e Sabriny com professora Eliandra. Foto: Eliandra A. Becker Goedert

Duas estudantes de Imbuia, no Alto Vale do Itajaí, vão representar Santa Catarina em uma competição nacional de empreendedorismo promovida pelo Sebrae. As alunas Sabriny de Kássia Brito e Tauane Scheffer, da segunda série do ensino médio da Escola de Educação Básica Frei Manoel Philippi, desenvolveram o projeto Caminho das Águas, voltado ao mapeamento e à preservação das nascentes do município.

A iniciativa passou por duas etapas de seleção até conquistar a vaga nacional. As estudantes apresentarão a proposta em Brasília, entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro. O projeto utiliza o Google Earth e dados públicos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para identificar nascentes conservadas e áreas que precisam de recuperação. A proposta também prevê ações de proteção da vegetação nativa e conservação do solo.

Contaminação da água em Imbuia motivou criação do projeto

A preocupação com a qualidade da água consumida pela população de Imbuia deu origem ao Caminho das Águas. Segundo a professora responsável, Eliandra Aparecida Becker Guedert, informações divulgadas pelo Ministério Público sobre a presença de resíduos de agrotóxicos motivaram a investigação.

"A ideia do nosso projeto surgiu por um problema bem grave em Imbuia, que este ano saiu uma notícia do Ministério Público de que foram detectados 17 resíduos de agrotóxico na água que está chegando na casa dos imbuiaenses", relata a professora.

A partir dessa preocupação, a equipe passou a utilizar ferramentas de georreferenciamento para analisar as condições das nascentes. As estudantes participam das reuniões com parceiros e da interpretação dos dados coletados.

Conforme Eliandra, a experiência permite que as alunas relacionem os conhecimentos adquiridos na escola com situações enfrentadas pela comunidade. "As duas alunas estão constantemente participando das conversas com pessoas envolvidas no projeto, porque ele é um projeto que tá sendo feito com vários parceiros. A todo momento elas ajudam a entender esses dados, a analisar estes dados, entender como na prática isso funciona, a detectar as nascentes em estado de conservação, em estado crítico", explica.

Preservação das nascentes pode beneficiar agricultura no Alto Vale

Além de identificar áreas que precisam de recuperação, o projeto propõe medidas para proteger os recursos hídricos. Entre elas estão a recuperação da vegetação nativa e práticas de conservação do solo, como terraços e curvas de nível. A equipe pretende envolver moradores, produtores rurais, empresas e órgãos públicos nas ações de preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs).

A professora Eliandra explica como essas medidas podem contribuir para a qualidade da água e para a atividade agrícola. "Essa vegetação nativa, ela vai funcionar como um filtro natural, então ela vai evitar que esses resíduos de agrotóxico entrem na água, ajuda muito na questão de erosão do solo, conservação do solo, evitando sedimentação e assoreamento dos rios", afirma.

A proposta considera também a ligação entre os recursos hídricos da região. Segundo a professora, as águas de Imbuia contribuem para as bacias hidrográficas do Itajaí-Mirim e do Itajaí do Sul. Inicialmente, o município será utilizado como projeto piloto. Entretanto, a metodologia poderá ser aplicada futuramente em outras localidades do Alto Vale.

Projeto Caminho das Águas conquistou vaga na etapa nacional do Sebrae

A classificação começou com o envio de um vídeo de apresentação, conhecido como pitch. A proposta ficou entre as seis melhores do estado e avançou para uma banca avaliadora online. Durante a seleção, as estudantes buscaram parcerias e orientação de profissionais para aperfeiçoar a iniciativa.

Para a estudante Sabriny de Kássia Brito, a participação nacional também representa uma oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido na escola. "Representar Santa Catarina na etapa nacional é um motivo de muito orgulho pra gente, porque além de estarmos levando um problema real do nosso município, nós estamos levando uma proposta de solução", afirma.

A estudante Tauane Scheffer também comenta a expectativa de apresentar a iniciativa a participantes de outros estados. "Estamos muito felizes por termos chegado até essa etapa, porque sabemos de todo o esforço e dedicação que colocamos nesse projeto. E para nós podermos apresentar nossa ideia em nível nacional, é uma grande conquista", relata.

As estudantes esperam que a participação em Brasília amplie o conhecimento sobre o Caminho das Águas e incentive a preservação das nascentes.

Estudantes buscam apoio para colocar projeto em prática

Enquanto se preparam para a etapa nacional, as alunas e a professora responsável procuram apoio de empresas e órgãos públicos.

A intenção é apresentar cartas de apoio ou de intenção que demonstrem a possibilidade de implantação do projeto. A professora Eliandra explica a importância dessas parcerias para a continuidade da proposta. "Estamos entrando em contato com várias empresas, órgãos públicos, pra conseguir apoio deles, porque é muito importante que a gente consiga levar uma carta de intenção ou carta de apoio para mostrar lá em Brasília", explica.

As estudantes também apresentaram o Caminho das Águas na Câmara de Vereadores de Imbuia.

Escola Frei Manoel Philippi incentiva pesquisa científica entre alunos

A diretora da Escola de Educação Básica Frei Manoel Philippi, Carla Fernanda Reitz da Cunha, considera que a experiência contribui para aproximar os estudantes da pesquisa científica.

Para a diretora, o trabalho desenvolvido pelas alunas demonstra como a escola pode incentivar a investigação de problemas da própria comunidade. "Não tem nada mais significativo do que a oportunidade deles mesmos estarem trazendo respostas pra questionamentos, como é o caso de um problema nosso aqui, do nosso município, que são as nascentes", afirma.

Com a participação na etapa nacional, a equipe espera conquistar novas parcerias e avançar na implantação do Caminho das Águas. A intenção é transformar os dados levantados em ações de preservação ambiental, com possibilidade de ampliar a metodologia para outros municípios.

Confira os detalhes na reportagem de Jaciara Oliveira:

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