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Dia do Estudante: por que cada pessoa aprende de uma forma diferente?

Neuropsicopedagoga explica como sentidos, rotina, sono e experiências influenciam a aprendizagem em diferentes fases da vida.

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Dia do Estudante: por que cada pessoa aprende de uma forma diferente? Estudantes - Imagem Ilustrativa. Foto: Reprodução / Gera Cejas no Pexels

O Dia do Estudante abre espaço para uma pergunta presente em escolas e famílias: por que algumas pessoas aprendem melhor ouvindo, enquanto outras precisam visualizar ou praticar?

Segundo a neuropsicopedagoga Andreia Jasper, diferenças individuais, experiências, emoções e estímulos interferem na forma como cada pessoa recebe e organiza informações. “As pessoas aprendem de forma diferente porque o cérebro de cada um de nós é único. É como se fosse uma identidade própria”, explica.

Para a especialista, reconhecer essas diferenças também ajuda a entender dificuldades de aprendizagem sem recorrer imediatamente a rótulos ou diagnósticos.

Visão, audição e movimento podem influenciar a aprendizagem

Andreia explica que o cérebro recebe informações por diferentes sentidos, como visão, audição, tato, paladar e olfato. Algumas pessoas, segundo ela, demonstram preferência por determinadas formas de contato com o conteúdo. “Para alguns, é a visão. Então, ele vai aprender melhor vendo. Para outros, é a audição. E para outros, é o tato ou o movimento”, afirma.

Isso não significa, porém, que a aprendizagem permaneça igual durante toda a vida. Conforme a neuropsicopedagoga, novas experiências e estímulos ajudam o cérebro a desenvolver outras capacidades. “O cérebro é como se fosse um músculo e precisa ser treinado para se fortalecer. Qualquer um pode aprender algo novo em qualquer fase da vida”, comenta.

Autismo e TDAH exigem olhar além dos rótulos

Condições como autismo, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e altas habilidades também podem interferir no processo de aprendizagem. Andreia ressalta, porém, que o desenvolvimento depende de diferentes fatores e dos estímulos recebidos ao longo da vida.

Nesse contexto, ela chama atenção para a rotina das crianças. Entre as orientações estão reduzir o excesso de telas e ampliar experiências fora dos dispositivos eletrônicos. “É fundamental cuidar com o uso excessivo das telas, incentivar essas crianças para brincar ao ar livre e garantir trocas de olhares”, explica.

A profissional também alerta que desatenção, por si só, não significa TDAH. “Uma noite mal dormida, excesso de telas antes de dormir, estresse, ansiedade e até o cansaço do dia a dia tiram o foco de qualquer pessoa”, afirma.

Por isso, antes de buscar um diagnóstico, Andreia recomenda observar o sono, a rotina e o nível de exposição às telas.

Quando dificuldades na escola merecem investigação

Alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação profissional. Entre eles estão sofrimento para frequentar a escola, perda de interesse pelas atividades e esforço sem resultados compatíveis com o esperado. “O sinal amarelo acende quando a criança começa a sofrer muito, começa a chorar para ir para a escola, perde a vontade de tentar e acha que não é capaz de nada”, explica.

Nessas situações, segundo Andreia, uma avaliação pode ajudar a identificar quais barreiras estão interferindo na aprendizagem.

Adultos também podem continuar aprendendo

Outro ponto abordado pela neuropsicopedagoga envolve a relação entre idade e aprendizagem. Segundo ela, o cérebro mantém capacidade de aprender ao longo da vida. “O cérebro adulto só fica lento se a gente deixar ele parado, sem aprender nada de novo”, afirma.

Andreia acrescenta que a experiência acumulada pode até favorecer determinados aprendizados. “O adulto pode até aprender melhor que uma criança, porque ele usa a experiência de vida para dar sentido ao que está estudando”, diz.

Sono, atividade física e estudo ativo ajudam o cérebro

Para manter o cérebro em atividade, a especialista aponta hábitos simples. Dormir bem aparece entre os principais. “É no sono que acontece como se fosse a faxina, a limpeza do nosso cérebro para fixar essas memórias”, explica.

Atividade física, hidratação, pausas sem telas e formas ativas de estudo também fazem parte das orientações.

Em vez de apenas decorar um conteúdo, Andreia sugere ler, escrever e depois explicar o assunto com as próprias palavras. “Lê e depois conversa com alguém, explica isso. É uma forma de revisitar o conteúdo e exercitar o nosso cérebro”, conclui.

Confira os detalhes na reportagem de Berta Thiesen: 

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