Alto Vale

Dia das mulheres rurais: agricultora de Vidal Ramos transforma paixão por receitas em renda

Após enfrentar um problema de saúde, Janete Weber encontrou na produção de receitas uma nova forma de valorizar a propriedade.

Dia das mulheres rurais: agricultora de Vidal Ramos transforma paixão por receitas em renda Agricultora de Vidal Ramos transforma paixão por receitas em renda. Foto: Arquivo / Janete Weber

Aos 59 anos, a agricultora Janete Weber, de Vidal Ramos, encontrou na confeitaria uma nova oportunidade de trabalho após enfrentar um problema de saúde que a afastou da lavoura. Com receitas caseiras e ingredientes produzidos na própria propriedade, ela passou a comercializar bolos, cucas e tortas, além de participar de concursos gastronômicos.

A mudança aconteceu em 2021, quando Janete precisou reduzir as atividades agrícolas. Até então, sua rotina estava ligada ao cultivo de tabaco, milho e feijão, atividades que sustentaram a família durante anos. Hoje, ela divide o tempo entre a administração da propriedade rural e a produção de alimentos. A agricultora também busca aperfeiçoar suas receitas por meio de cursos e capacitações.

Agricultura ajudou Janete Weber a garantir a formação das filhas

A ligação de Janete com o campo começou ainda na infância. Filha de Marieta e Wendolino, ela cresceu acompanhando o trabalho dos pais na agricultura.

Ao constituir sua própria família, manteve a atividade rural como principal fonte de sustento. A produção agrícola também possibilitou que suas duas filhas cursassem Engenharia Civil. "Para mim, a agricultura é a base para a nossa família. Estudei minhas filhas, duas engenheiras civis, com a agricultura, trabalhando e elas ajudando a gente a trabalhar", contou.

Mesmo após a mudança de rotina, Janete continua participando das atividades da propriedade. Atualmente, a família mantém o cultivo de tabaco. Ela dedica as segundas, terças e quartas-feiras à organização da propriedade, às demandas administrativas e à alimentação dos trabalhadores. Já os demais dias da semana ficam reservados à confeitaria.

Problema de saúde levou agricultora de Vidal Ramos a investir na confeitaria

Em 2021, um problema de saúde impediu Janete de continuar trabalhando diretamente na lavoura.

A mudança afetou sua rotina e trouxe dificuldades emocionais. Acostumada ao trabalho diário, ela passou a procurar uma atividade que pudesse realizar sem abandonar a propriedade. "Eu comecei a ficar só deitada, não querer mais fazer as coisas. Daí eu pensei: ou eu saio daqui ou eu adoeço. Eu tenho que fazer uma coisa que eu gosto", relatou.

Como já tinha interesse pela culinária desde jovem, decidiu investir na produção de bolos, cucas e tortas. Com o tempo, começou a participar de concursos gastronômicos e conquistou premiações. "Comecei a participar de concursos, comecei a ganhar todos os concursos que eu ia. Então, eu pensei: estou no caminho certo", afirmou.

A experiência mostrou que a atividade poderia se transformar em uma fonte de renda e permitir que continuasse trabalhando na propriedade.

Produtos da propriedade rural são utilizados nas receitas caseiras

Um dos diferenciais da produção de Janete é o aproveitamento de ingredientes da própria propriedade. Entre os produtos que comercializa estão tortas de queijinho, bolos decorados com glacê caseiro à base de nata e outras receitas.

Ela utiliza leite da propriedade para preparar manteiga, nata e queijo, ingredientes que fazem parte de suas produções. "A maioria dos produtos é da minha propriedade. Minha vaquinha de leite, eu tiro a nata, faço a manteiga, tiro o queijinho, tiro o leite", explicou.

Segundo a agricultora, produzir parte da matéria-prima permite acompanhar a qualidade dos ingredientes e agregar valor aos alimentos comercializados. "Eu não gosto muito de terceirizar, comprar fora. Daí eu sei o produto que estou usando. Eu sei a forma que eu conduzo a minha cozinha. Eu agrego valor ao meu produto", afirmou.

Cursos do Senar ajudam agricultora a aperfeiçoar receitas

Para desenvolver novas técnicas, Janete passou a participar de cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e por outras instituições. Além da atividade comercial, ela mantém uma relação com o trabalho voluntário nas comunidades.

Há mais de 25 anos, participa da preparação de alimentos em festas de igrejas e eventos comunitários. "Eu amo fazer doce, salgado. Eu gosto de cozinha, gosto de cozinhar. O importante é a gente amar o que a gente está fazendo", declarou.

A agricultora também incentiva outras mulheres do meio rural a buscar qualificação e novas oportunidades de trabalho. "Mulheres, participem de todos os cursos que puderem, que tu aprende na prática, tu aprende a fazer as coisas certo. E nós agricultores temos que nos unir e fazer acontecer", aconselhou.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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