Justiça

Defesa busca novas provas para revisar condenação por triplo homicídio em Alfredo Wagner

Condenado a 96 anos de prisão, Arno Cabral Filho tenta reunir elementos para fundamentar um pedido de revisão criminal no TJSC.

Defesa busca novas provas para revisar condenação por triplo homicídio em Alfredo Wagner Crime aconteceu em 2019. Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

A defesa de Arno Cabral Filho, condenado a 96 anos de prisão pelo assassinato de três pessoas da mesma família em Alfredo Wagner, ingressou com um procedimento judicial para produzir novas provas. O objetivo é reunir elementos que possam fundamentar um futuro pedido de revisão criminal.

O crime ocorreu em 9 de agosto de 2019, quando Carlos Alberto Tuneu, de 67 anos, a esposa Lauraci Mathes, de 50, e o filho Matheus Tuneu, de oito anos, foram encontrados mortos em uma propriedade rural do município.

Arno foi condenado pelo Tribunal do Júri em 2022, e a sentença tornou-se definitiva em junho de 2024. Em entrevista à Rádio Sintonia FM, os advogados Diego Rossi Moretti e Bruno Ribeiro explicaram os argumentos apresentados pela defesa.

Defesa questiona provas utilizadas na condenação

O advogado Diego Rossi Moretti esclareceu que o procedimento atual é uma justificação criminal, etapa destinada à produção de provas para uma eventual revisão da condenação. "O que nós protocolamos agora ainda não é uma revisão criminal, é a justificação criminal, que é um passo anterior à revisão criminal", explicou.

Segundo ele, novos elementos colocariam em dúvida a cronologia apresentada pela acusação. A defesa também questiona a interpretação de uma impressão digital encontrada na caminhonete e as circunstâncias de uma suposta confissão informal.

Moretti argumenta que a presença de Arno em determinado trecho da estrada não comprova que ele esteve na residência das vítimas. Além disso, afirma que uma testemunha importante para a cronologia da acusação apresentou versões diferentes durante a investigação e não prestou depoimento em juízo.

Novas testemunhas e perícias poderão ser analisadas

A defesa pretende ouvir pessoas que não participaram do processo original, além de dois peritos responsáveis por um laudo particular elaborado em 2025.

Os advogados também solicitam uma nova reprodução simulada dos fatos, com participação da perícia oficial e acompanhamento do Ministério Público. A medida busca verificar tempos de deslocamento, distâncias e condições de visibilidade. "Essas provas não foram desconsideradas no júri, porque, na verdade, elas simplesmente não existiam no processo", afirmou Moretti.

Livro sobre o caso motivou contato de possíveis testemunhas

O advogado Bruno Ribeiro relatou que a publicação do livro O Homem que Não Estava Lá levou pessoas a procurar a família do condenado com informações sobre o crime. "Foi através desta obra que muitas pessoas, após a leitura, começaram a entrar em contato com a família do Arno, para prestar informações, para falar sobre o caso e também para trazer elementos que antes não eram de conhecimento da defesa", explicou.

Segundo Ribeiro, o livro não integra as provas da justificação criminal. Entretanto, a defesa pretende apresentar à Justiça os relatos das pessoas que surgiram após a publicação.

Condenação permanece válida enquanto Justiça analisa pedidos

O Ministério Público deverá se manifestar sobre os pedidos de produção de provas na comarca de Bom Retiro. Posteriormente, os advogados poderão apresentar uma revisão criminal ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Caso isso ocorra, a análise caberá ao Tribunal, sem necessidade automática de um novo julgamento pelo júri. Uma eventual absolvição dependerá de decisão judicial. "Não estamos aqui pedindo impunidade. Estamos pedindo que provas que nunca foram produzidas sejam produzidas agora, de forma transparente, com um juiz e com o Ministério Público acompanhando essa produção", afirmou Ribeiro.

A defesa também manifestou respeito aos familiares das vítimas. Até que haja uma eventual mudança na decisão judicial, a condenação de Arno Cabral Filho permanece em vigor.

Ouça a reportagem de Berta Thiesen: 

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