Agro

Cooperativismo ajuda a plantar novas oportunidades no campo

Investir sem garantias de retorno é o maior desafio do campo e o cooperativismo de crédito ajuda neste quesito.

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Cooperativismo ajuda a plantar novas oportunidades no campo Produção é armazenada e trator com implementos são guardados no galpão de Beatriz. Foto: Arquivo

A família da agricultora e influenciadora do agronegócio Beatriz Stopassoli, moradora do interior de Alfredo Wagner, encontrou no cultivo de morangos uma alternativa para diversificar a renda na propriedade rural. O investimento começou há cerca de um ano, após uma trajetória marcada pelo plantio de cebola e pela rotação com hortaliças.

Segundo Beatriz, a maior dificuldade não está apenas em plantar, mas em investir sem garantias de retorno. “Hoje, uma das maiores dificuldades financeiras que a gente enfrenta na roça é o alto custo de produção, com insumo caro, manutenção e compra de novas máquinas”, afirmou.

 

Agricultura familiar em Alfredo Wagner busca novas fontes de renda

Durante anos, a propriedade da família teve a cebola como uma das principais atividades. No entanto, a oscilação do mercado e os custos de produção levaram a família a buscar novas possibilidades.

Beatriz relatou que o produtor rural convive com um cenário de incerteza. Quando não há produto disponível, os preços costumam subir. Porém, quando a colheita chega com qualidade e produtividade, a oferta pode aumentar e reduzir o valor pago ao agricultor.

Além disso, a entrada de produto importado também interfere no preço final. “O maior desafio não é plantar. É investir uma fortuna sem saber se o tempo, o clima e a atividade financeira vão conseguir fazer com que a gente retome esse valor”, disse.

Nesse contexto, o morango passou a fazer parte da estratégia da família. A nova cultura surge como uma alternativa para ampliar a renda e reduzir a dependência de uma única produção.

 

Galpão ajudou família a armazenar cebola e esperar melhor preço

Em meio aos desafios da propriedade, Beatriz também citou o papel do cooperativismo no acesso a crédito e estrutura. Segundo ela, a Sicredi auxiliou a família na compra de implementos e na aquisição de um galpão.

O espaço se tornou um ponto central da propriedade. Além de armazenar cebola, o galpão guarda trator, máquinas, materiais de trabalho e até a lenha usada no fogão da família.

A agricultora lembrou que a estrutura fez diferença em um momento de baixa no preço da cebola. “A cebola estava 50 centavos, muito abaixo do preço de produção. A gente pôde investir nesse galpão, guardar a nossa cebola e armazenar de uma forma que depois pudesse vender a um preço justo”, relatou.

Para Beatriz, o acesso a financiamento com pagamento parcelado também contribuiu para manter os investimentos no campo. “Todo tipo de máquina agrícola é muito caro. Poder ir pagando aos poucos ajuda muito”, afirmou.

 

Cooperativismo aproxima atendimento da realidade do produtor rural

A relação da agricultora com a cooperativa também aparece no atendimento do dia a dia. Beatriz contou que, no passado, via o ambiente bancário como algo formal e distante. Hoje, ela diz que encontra um espaço mais próximo da realidade da família. “Eu vejo como uma extensão da minha casa, um lugar em que eu me sinto muito à vontade e sou bem atendida”, afirmou.

Ela também comentou que a linguagem usada no atendimento faz diferença para quem mora no interior e nem sempre compreende termos técnicos. “Quando a gente não entende, eles tentam passar a informação de um jeito que a gente consiga entender”, disse.

 

Influência no agro leva realidade da roça para a internet

Além do trabalho na propriedade, Beatriz passou a compartilhar a rotina do campo nas redes sociais. Como influenciadora do agronegócio, ela mostra os desafios, as conquistas e o cotidiano da agricultura familiar.

Durante a ExpoFeira Nacional da Cebola de 2026, Beatriz participou do estande da Sicredi. A experiência, segundo ela, aproximou agricultores que vivem situações semelhantes na região. “Eu recebi tanto carinho que não tenho palavras. Existe uma Beatriz antes da parceria com a Sicredi e existe outra Beatriz depois”, afirmou.

Ela contou que o contato com outros produtores ajudou a perceber que muitas dificuldades não são individuais, mas fazem parte da realidade de várias famílias do campo. “Foi uma troca de experiência com muitos agricultores que vivem a mesma realidade aqui na região”, relatou.

 

Confira a reportagem de Berta Thiesen.

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