Depois que a família autoriza a doação de órgãos, começa uma operação que envolve o hospital, a SC Transplantes e equipes responsáveis pelos transplantes. O processo inclui análise de exames, identificação dos receptores e organização da captação.
Essa é a segunda reportagem da série de entrevistas da Rádio Sintonia sobre doação de órgãos. Segundo o gerente de enfermagem do Hospital Regional, Thiago Litzcke, a SC Transplantes coordena o processo em Santa Catarina.
SC Transplantes recebe dados e exames
Após a autorização familiar, o hospital encaminha os documentos e as informações clínicas do doador. “A família autorizando a doação, a gente encaminha os documentos de autorização para a SC Transplantes e, junto com isso, todo o rol de exames e prontuário do paciente”, explicou.
Em seguida, o sistema utiliza essas informações para identificar quais pessoas podem receber cada órgão. “Essas informações entram em um sistema e ele determina quem são os receptores compatíveis e possíveis”, afirmou.
Critérios mudam conforme o órgão
A definição do receptor não ocorre da mesma forma para todos os órgãos. No caso dos rins, por exemplo, o tempo de espera e a compatibilidade entram entre os critérios considerados. “Alguns órgãos, como é o caso do rim, seguem a fila. O paciente que estiver há mais tempo e for compatível é o primeiro chamado”, explicou Thiago.
Já em outros casos, como o transplante de fígado, a gravidade pode determinar a prioridade. “Para alguns órgãos, como é o caso do fígado, o principal critério é a gravidade”, afirmou.
Captação pode durar cerca de seis horas
Depois da identificação dos receptores, as equipes responsáveis pelos transplantes seguem até o hospital onde está o doador.
O número de profissionais varia conforme a quantidade de órgãos que serão retirados. “Equipes que podem ser uma, duas ou três, de acordo com o número de órgãos, vêm até o hospital e fazem o processo de captação”, explicou Thiago.
Segundo ele, o procedimento pode levar cerca de seis horas. “Não é simplesmente tirar um órgão. Cada vaso sanguíneo precisa ser retirado com cuidado para que a gente consiga ter sucesso no transplante”, afirmou.
Velório ocorre normalmente após a captação
Após a retirada dos órgãos, o hospital libera o corpo para os procedimentos funerários.
Segundo o gerente de enfermagem, a doação não impede a realização do velório. “O corpo é encaminhado e todos os processos de velório podem acontecer exatamente da mesma forma que aconteceriam com uma pessoa em outra condição”, concluiu.
Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller:
Setembro Verde. Foto: Divulgação / Internet