Candidato à reeleição para deputado federal por Santa Catarina, Gilson Marques (Novo) defende que uma das funções de seu mandato é impedir o avanço de projetos que, na avaliação dele, aumentam gastos, burocracia ou regulamentação.
Natural de Rio do Sul, Marques está no segundo mandato na Câmara dos Deputados e exerce atualmente a função de representante do Novo na Casa. Desde setembro, também aparece como vice-líder da oposição.
Antes de decidir pela reeleição, o parlamentar cogitou disputar uma vaga no Senado. Durante entrevista à Rádio Sintonia, ele explicou a mudança de planos e também falou sobre economia de recursos do mandato e destinação de emendas.
Gilson Marques defende atuação para barrar projetos no Congresso
O candidato apresenta como uma das marcas do mandato a tentativa de impedir a aprovação de propostas que considera prejudiciais.
Na prática, Marques utiliza instrumentos regimentais, como requerimentos para retirada de projetos da pauta. Registros da Câmara confirmam o uso desse mecanismo em votações ao longo de 2026.
Segundo o parlamentar, o número de leis existentes no país não significa necessariamente melhores resultados para a população. “O Brasil não vai mal porque tem pouca lei. O Brasil vai mal porque tem muita lei”, afirma o candidato.
Marques argumenta que parte das normas gera custos e obrigações sem alcançar os objetivos esperados. “Meu trabalho lá tem sido para atrapalhar a aprovação de normas que geram custo para você, que geram burocracia, regulamentação e te atrapalham”, diz.
O próprio parlamentar utiliza o termo “coveiro” para caracterizar essa atuação. Em balanço publicado pelo mandato, Marques informou ter apresentado 1.598 requerimentos de obstrução para retirada de pauta em 2025.
Candidato explica por que desistiu da disputa ao Senado
Antes de confirmar a tentativa de permanecer na Câmara dos Deputados, Gilson Marques avaliou uma candidatura ao Senado.
Segundo ele, a composição da disputa em Santa Catarina influenciou a decisão. “Toda a conjuntura que se constrói em Santa Catarina acabou atrapalhando isso, porque acabou vindo um candidato de fora, do Rio de Janeiro, e as coligações não me beneficiaram para disputar essa vaga”, afirma.
Marques também relaciona a decisão ao cenário eleitoral entre candidaturas que classifica como de direita e centro-direita. “Então, já corre-se o risco de a gente eleger o Décio Lima, do PT. E, obviamente, eu não quero participar para que isso aconteça”, declarou.
Na avaliação do candidato, sua entrada na disputa poderia dividir votos desse campo político. Trata-se de uma avaliação eleitoral feita pelo próprio Marques, e não de uma projeção independente sobre o resultado da eleição.
Gilson Marques diferencia emendas de economia do mandato
Durante a entrevista, o candidato também respondeu sobre uma aparente diferença entre defender a redução dos gastos públicos e destinar recursos por meio de emendas parlamentares.
Marques argumenta que são situações distintas. “As emendas regulares são de dois tipos, individuais e as de bancada. Essas eu encaminho de forma integral”, explica.
Segundo ele, a utilização das emendas permite direcionar parte dos recursos arrecadados pelo Governo Federal novamente aos municípios.
A Câmara dos Deputados registra emendas apresentadas por Marques em 2026 para áreas como saúde e assistência social em Santa Catarina.
Deputado afirma ter economizado R$ 8,5 milhões
Por outro lado, Marques afirma reduzir despesas relacionadas diretamente à estrutura disponibilizada para o exercício do mandato.
Entre os benefícios que diz não utilizar estão auxílio-mudança, auxílio-moradia e aposentadoria parlamentar especial. “Do valor da cota que todo mês se renova, eu uso só o essencial para desenvolver o meu mandato. Toda essa sobra eu economizo”, afirma.
Segundo números divulgados pela própria campanha, Marques calcula ter economizado mais de R$ 8,5 milhões durante sua trajetória na Câmara.
O candidato também cita avaliações externas sobre sua atuação. Em maio deste ano, recebeu do Ranking dos Políticos o reconhecimento de primeiro colocado entre os parlamentares catarinenses no acumulado da atual legislatura, de 2023 a 2026. “É possível fazer um bom trabalho sem isso tudo. E, se isso é possível, a gente precisaria cobrar menos impostos das pessoas para sustentar regalia e benefício de político”, conclui Marques.
Gilson Marques disputa em 2026 a continuidade na Câmara dos Deputados pelo Novo. Ele exerce mandato federal por Santa Catarina desde 2019.
A reportagem é de Berta Thiesen.
Gilson Marques. Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados