Turismo

Turismo de Ituporanga pode explorar simbolismo da cebola para ampliar atuação

Consultor Daniel Keller defende uso de histórias, identidade regional e integração entre municípios para ampliar permanência de visitantes.

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Turismo de Ituporanga pode explorar simbolismo da cebola para ampliar atuação Cebolas possuem histórias culturais com a região. Foto: Reprodução / ND +

A cebola pode ganhar uma função além da agricultura em Ituporanga: tornar-se parte da identidade turística do município e do Alto Vale. A proposta foi apresentada pelo palestrante, consultor e mentor Daniel Keller durante o Festival Sabores da Nossa Terra.

A ideia é utilizar características já presentes na região para criar histórias capazes de despertar a curiosidade dos visitantes. Nesse contexto, a cebola aparece como um dos elementos que podem representar Ituporanga, principal município produtor da hortaliça na região.

Além disso, Keller defende uma maior integração entre os atrativos turísticos do Alto Vale. Para ele, um destino não consegue manter visitantes por mais tempo quando depende de apenas um ponto de interesse.

Turismo de Ituporanga pode usar histórias ligadas à cebola

Uma das propostas apresentadas durante a palestra envolve transformar elementos do cotidiano regional em narrativas turísticas.
Segundo o consultor Daniel Keller, o turismo está diretamente relacionado à busca por experiências diferentes daquelas encontradas na rotina dos visitantes. “Turismo é a busca das pessoas por viver algumas experiências que não estão no cotidiano delas. E aqui tem uma riqueza gigantesca para isso também”, afirma.

Entre essas possibilidades está a própria cebola. Keller aponta que as diferentes camadas da hortaliça podem ser utilizadas de forma simbólica em histórias e experiências.

O palestrante também citou interpretações culturais e espirituais associadas à cebola, como símbolos de proteção e renovação. Segundo ele, esses significados podem inspirar elementos gráficos, espaços turísticos e histórias apresentadas aos visitantes.

Agricultura, fé e cebola podem formar narrativa turística

Outro caminho apontado por Keller está na relação entre agricultura e fé presente na região.

O cultivo da cebola depende diretamente das condições climáticas. Por isso, segundo o consultor, histórias relacionadas ao plantio, à expectativa pela safra e ao agradecimento pela colheita podem contribuir para construir uma identidade turística. “Se a gente resgatar como a fé é preponderante na hora de plantar, porque o cultivo da cebola é muito sensível ao clima, e na hora de agradecer por uma boa colheita, as histórias estão prontas para serem conectadas”, explica o consultor Daniel Keller.

Para ele, quando essas histórias formam uma narrativa, o turista passa a levar consigo algo além das imagens registradas durante a viagem. “Quem não é daqui tem o poder de absorver e passar por aqui e, depois, estar em outro lugar contando a mesma coisa que vivenciou aqui”, afirma.

Turismo do Alto Vale depende da integração entre municípios

Além da identidade de cada cidade, Keller acredita que o crescimento do turismo regional passa pela integração entre os municípios.

Segundo ele, Ituporanga pode funcionar como ponto de entrada para experiências também em Agrolândia, Witmarsum, Lontras, Rio do Sul, Ibirama e outras cidades do Alto Vale. “Não faz sentido a pessoa ir para Paris exclusivamente para visitar a Torre Eiffel. Nenhum destino se sustenta com um único equipamento”, compara.

Na avaliação do consultor, hospedagem, gastronomia, entretenimento, comércio e atrativos precisam atuar de forma conectada.

O projeto Caminhos do Alto Vale aparece como exemplo dessa aproximação regional. “O próprio processo promovido pelo Caminhos do Alto Vale já traz uma integração de uma região que é integrada por natureza economicamente”, observa Keller.


 

Permanência do turista é desafio para a região

A integração entre os municípios também pode aumentar o período de permanência dos visitantes.

Para Keller, o objetivo não deve ser apenas fazer com que uma pessoa conheça Ituporanga. O desafio está em criar motivos para que ela permaneça na região, visite outros municípios e tenha vontade de retornar. “Turismo tem muito esse desafio de gerar uma atratividade para que as pessoas queiram vir, permanecer e voltar”, afirma.

Segundo o consultor, Santa Catarina já reúne diferentes opções de turismo. Agora, a região pode avançar na conexão entre os negócios e na criação de experiências baseadas na própria identidade local. “Criatividade é conectar coisas que aparentemente não têm conexão. E aqui a gente não precisa fazer muito esforço”, conclui o consultor Daniel Keller.

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