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Dor na corrida exige atenção quando limita movimentos ou persiste por vários dias

Fisioterapeuta Camila Gonçalves orienta corredores sobre sinais de alerta, prevenção de lesões e cuidados durante os treinos.

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Dor na corrida exige atenção quando limita movimentos ou persiste por vários dias Corrida de rua. Foto: Reprodução / Site PaceFit

A dor durante ou após a corrida pode indicar adaptação do corpo ao exercício, mas também pode ser sinal de lesão. A fisioterapeuta Camila Gonçalves orienta que corredores observem a intensidade, a localização e a duração do incômodo antes de manter a rotina normal de treinos.

Segundo a profissional, desconfortos leves podem aparecer principalmente em pessoas que estão começando a correr ou que aumentaram a intensidade dos treinos. No entanto, dores fortes, localizadas ou que alteram a forma de correr exigem atenção.

“Principalmente quando a pessoa está começando ou aumentou a intensidade do treino, é comum sentir um desconforto muscular leve, aquela sensação de corpo trabalhando, que faz parte da adaptação. A dor muscular comum é mais espalhada, aparece algumas horas depois do exercício e melhora em poucos dias”, explicou.

Dor muscular na corrida

A fisioterapeuta explica que a dor muscular comum costuma aparecer depois do treino e tende a melhorar em até 72 horas. Esse tipo de desconforto geralmente ocorre nos dois lados do corpo e está ligado ao esforço, à fadiga muscular ou ao processo de adaptação.

Por outro lado, a dor de lesão costuma ter características diferentes. Ela aparece de forma mais específica, pode ser intensa e, em alguns casos, limita os movimentos. “Já a dor de lesão costuma ser mais localizada, intensa e pode limitar os movimentos. Um leve desconforto pode acontecer, mas uma dor forte que altera a forma de correr ou obriga a diminuir o ritmo merece atenção”, afirmou Camila.

Sinais de alerta para corredores

Durante a prática da corrida, alguns sintomas indicam que o atleta deve interromper o exercício. Conforme Camila, dor aguda, fisgada forte, dificuldade para apoiar o pé, tontura e falta de ar importante precisam ser avaliadas.

A profissional também orienta atenção quando a dor aumenta ao longo da corrida. Já o incômodo que melhora com o aquecimento pode estar ligado à rigidez muscular. “Geralmente, uma dor que melhora com o aquecimento costuma estar relacionada à rigidez muscular. Já a dor que aumenta ao longo da corrida merece investigação”, disse.

Além disso, dores persistentes ou repetidas no mesmo ponto também podem indicar sobrecarga. Segundo a fisioterapeuta, quanto mais localizada for a dor, maior a chance de envolvimento de estruturas como tendões, músculos ou ossos. “Quanto mais específica e localizada a dor, maior a chance de existir uma sobrecarga em alguma estrutura, como tendão, músculo ou até mesmo osso. Esses sinais merecem a avaliação profissional, especialmente se persistirem ou aparecerem repetidamente”, completou.

Lesões em corredores iniciantes

Entre os erros mais comuns na prática da corrida estão o aumento rápido do volume de treino, a falta de descanso e a ausência de fortalecimento muscular. De acordo com Camila, esses fatores contribuem para lesões em corredores iniciantes e também em pessoas mais experientes.

A fisioterapeuta explica que dores podem ter várias causas, como fadiga muscular, desidratação, esforço excessivo, alterações biomecânicas ou recuperação insuficiente. Em muitos casos, o problema resulta da combinação de mais de um fator. “Querer evoluir rápido demais, correr sem períodos adequados de descanso e negligenciar o fortalecimento muscular. Esse é um dos principais motivos de lesões em corredores iniciantes e até experientes”, afirmou.

Prevenção de dores na corrida

Para reduzir o risco de lesões, Camila recomenda aumentar o volume de treino de forma gradual, respeitar os dias de recuperação e incluir fortalecimento muscular na rotina. O aquecimento também tem papel importante antes da corrida. “O aquecimento prepara o músculo, as articulações e o sistema cardiovascular para o esforço, reduzindo o risco de desconfortos e melhorando o desempenho”, explicou.

O tipo de terreno e o calçado também podem influenciar na distribuição das cargas durante a corrida. No entanto, a fisioterapeuta observa que o tênis, sozinho, raramente é a causa de uma lesão. “O tênis pode influenciar no conforto e na distribuição das cargas, porém, sozinho, ele raramente é o responsável por uma lesão”, pontuou.

Quando procurar ajuda profissional

Camila orienta que o corredor procure avaliação quando a dor persiste, limita movimentos, altera a corrida ou impede a evolução dos treinos. Além disso, ela alerta para o uso de medicamentos apenas para mascarar o sintoma. “O remédio pode aliviar o sintoma temporariamente, mas a causa do problema continua existindo e pode se agravar”, disse.

Apesar dos cuidados necessários, a fisioterapeuta ressalta que a corrida pode ser praticada com segurança quando o corpo recebe o tempo adequado de adaptação. “A corrida é uma das atividades mais acessíveis e traz muitos benefícios para a saúde. O segredo é começar devagar, respeitar os limites do corpo e entender que sentir o corpo se adaptando é normal. Dor não deve ser ignorada, mas também não precisa ser motivo de medo de correr. Com orientação adequada, a maioria das pessoas consegue correr de forma segura e prazerosa”, concluiu.

Ouça a reportagem de Vanessa Montibeller: 

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